Itatiaia

Quem se beneficia com as ausências no debate?

Zema esquecido, Lula e Flávio atacados

Por
Debate da Band • RENATOPIZZUTTO

As ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) no debate dos presidenciáveis na Band abriram espaço para que os adversários presentes fizessem críticas sem serem alvejados ou respondidos. Mais uma vez valeu a máxima: ‘na política não existe vácuo’. Renan Santos (Missão) aproveitou a oportunidade para disparar denúncias contra os dois primeiros colocados nas pesquisas. A estratégia do candidato, um dos fundadores do MBL, mirou o indeciso e o eleitor “nem nem”, “nem Lula e nem Flávio Bolsonaro”.

O ex-governador Romeu Zema (Novo) que anunciou no próprio domingo (28) que não participaria, justificando sua decisão pela ausência de seus adversários, acabou sendo esquecido pelos concorrentes. O novista, que disputa o voto da direita, não foi sequer citado no debate. Ao chamar os concorrentes de fujões, Caiado disse que o currículo de Flávio é “a certidão de nascimento” e de Lula “escândalos para todo lado”. Zema não foi lembrado.

Considerando que um dos principais desafios do novista na corrida presidencial é se tornar conhecido e que ele não é alvo preferencial de nenhum adversário, a ausência no debate pode significar um tiro no pé. Há quem diga que a desistência seria um sinal de que o ex-governador de Minas pode desistir da disputa ao Palácio do Planalto, o que a campanha de Zema não confirma.

Mensalão e rachadinha

Renan Santos usou a estratégia do ataque e, por repetidas vezes, colocou o dedo nas feridas de seus adversários. “Petrolão”, “mensalão”, “Vorcaro” “Master”, “rachadinha” foram escândalos citados pelo candidato do Missão para lembrar o passado dos candidatos ausentes que foram chamados de “ladrão” e “bêbado, “canalha”, “fraco” e pessoa com “problemas cognitivos”. Santos lembrou o debate à prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, em que Flávio Bolsonaro passou mal. “Problemas gástricos”, disparou.

O candidato da Missão prometeu Garantia da Lei e da Ordem (GLO), intervenção em estados que não aceitarem cooperação e “banho de sangue” e “passar a rapa em bandido”. Além dos governadores, o postulante também avançou para os prefeitos e afirmou que os que investirem em shows de cantores famosos ao invés de fazerem os investimentos adequados em saúde, segurança e educação serão responsabilizados e se tornarão inelegíveis.

O postulante também deu sua opinião sobre o fim da Escala 6x1 e disse que Lula vende a ideia de “ganhar mais e trabalhar menos”.

O tom de Renan foi rotulado como “agressivo” pelo psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante que brincou ao dizer que será eleito e que Ronaldo Caiado (PSD) será convidado para um ministério. “Xerife do Brasil”, apelidou.

Café requentado

Caiado falou de Lula, mas não poupou Flávio Bolsonaro. Além de chamar os adversários de fujões, disse que os dois líderes nas pesquisas são “café requentado”. O ex-governador de Góias lembrou que Flávio não explicou para onde foram os milhões do filme Dark Horse e que Lula não consegue esclarecer a ligação do filho, Lulinha, com o escândalo do INSS.

O peessedista apostou na crítica moderada e na proposta precisa. Caiado conseguiu trazer pontos claros da política econômica e para dois problemas nevrálgicos na segurança pública: o crime organizado e a violência contra a mulher. Caiado defendeu legislação que prevê confisco de bens de agressor e benefícios diminuição da pena somente após o cumprimento de 90% da condenação. Para os faccionados, Caiado defendeu suspensão de visita íntima, visita com advogado gravada, scanner corporal nas unidades prisionais.

Na política fiscal, o ex-governador prometeu perseguir a taxa de juros de 6% e a inflação de 3% a 4%. O candidato falou em “choque de credibilidade e autoridade moral” para governador. Caiado, que tem forte aceitação no agro, sinalizou para essa parcela do eleitorado. O ex-governador criticou a postura de Lula e citou o episódio em que o presidente falou “da dentadura do Trump” como provocação desnecessária.

Brasil tem cura?

O escritor Augusto Cury focou nas questões voltadas para mulheres, educação, pessoas neurodivergentes e empreendedorismo. Autor de vários livros, Cury é o psiquiatra mais lido do mundo, e fez sua estreia em debate político. Embora pouco experiente como candidato, o professor apresentou propostas efetivas para algumas áreas. Cury prometeu dividir o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) em dois: para micro e grandes empresários, uma escola e uma agência de empreendedorismo em cada favela do Brasil e também nas escolas.

O psiquiatra falou em repaginar embaixadas, transformando as representações internacionais no Brasil em um “supermercado do mundo”, defendeu pacificação sem subserviência na relação com os Estados Unidos e alertou sobre a necessidade de preparar o país para o tsunami de inteligência artificial e robótica que está por vir. O candidato tentou reforçar seu lema de campanha ao repetir várias vezes que “O Brasil tem cura”.

Por

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

Belo Horizonte