PSD trabalha para atrair lideranças bolsonaristas na disputa pelo governo de Minas

Presidente do partido em Minas quer contar com PL no arco de alianças construído para a disputa pelo Executivo Estadual

Deputado estadual e presidente do PSD em Minas, Cássio Soares detalhou a estratégia do partido para a disputa pelo governo estadual

O deputado estadual e presidente do PSD em Minas Gerais, Cássio Soares, afirmou que pretende contar com o PL dentro do arco de alianças do partido na disputa de cargos majoritários nas eleições de 2026. Em entrevista à colunista de política da Itatiaia Bertha Maakaroun veiculada nesta segunda-feira (16), o parlamentar disse que o partido mantém conversas com lideranças bolsonaristas do estado como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Soares destacou a recente proximidade de Nikolas com o vice-governador e pré-candidato ao governo, Mateus Simões (PSD). O empecilho flagrante para que os pessedistas assegurem o apoio do PL é o conflito entre as candidaturas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República.

“Temos hoje um caminho muito bom com o deputado federal Nikolas Ferreira, que é um líder da direita, que é uma das maiores lideranças do PL aqui no estado e talvez do Brasil, muito alinhado com a política do Mateus Simões. Então, nós temos a expectativa de termos o PL nesse arco de alianças. O que tem hoje de problema é talvez o conflito da candidatura do Flávio Bolsonaro e a candidatura do o governador Romeu Zema à presidência da República, mas eu acho que isso dentro de algum tempo isso se ajusta também”, declarou.

O PL não abre mão de ter um palanque exclusivamente dedicado à campanha de Flávio em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Por outro lado, a relação umbilical entre Zema e Simões inviabiliza que o pessedista apoie outro nome se o de seu aliado estiver no páreo.

Para Cássio Soares, a celeuma pode ser resolvida se Zema não concorrer ao Palácio do Planalto ou mesmo se o PL aceitar que seus filiados façam uma campanha para Flávio Bolsonaro mesmo com o apoio de Simões ao candidato do Novo. Mesmo diante do imbróglio, o deputado destacou a proximidade entre os partidos ao tratar do acordo já firmado em relação à disputa pelas duas vagas em jogo no Senado.

“Eu não posso dizer pelo governador Romeu Zema, mas eu não sei se ele vai aceitar algum convite de composição, não sei se ele vai levar adiante. Ou ainda que o próprio nosso pré-candidato a governo, Mateus Simões, terá uma condição de fazer o apoio ao governador Romeu Zema à Presidência da República com uma boa parcela do grupo que vai apoiá-lo com a tranquilidade de fazer o palanque também ao Flávio Bolsonaro, considerando que no nosso planejamento, nas nossas conversas, uma das vagas ao Senado é destinada ao PL e me parece que internamente eles já têm até o nome”, complementou.

Com a filiação de Simões em outubro do ano passado, o PSD em Minas Gerais definiu sua guinada à direita. O estado faz parte da estratégia nacional comandada pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, que maneja o partido entre o governismo e a direita bolsonarista.

O PSD mineiro é um exemplo do caráter fisiológico do partido: enquanto busca alinhamento com Nikolas Ferreira, a sigla abriga em seus quadros o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, um dos nomes mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na esplanada ministerial. Entre os pessedistas mineiros também está o senador Rodrigo Pacheco, nome que os petistas desejam insistentemente lançar como candidato ao Governo de Minas.

Veja a entrevista completa:

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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