‘Não vamos deixar um doido na rua vivendo igual animal’, diz Zema sobre internação compulsória
Ex-governador de Minas Gerais defendeu retirada e tratamento de pessoas em situação de rua sem discernimento mental e afirmou que atual política deixa dependentes químicos 'sem dignidade'

Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República, defendeu nesta sexta-feira (4) a retirada das ruas e o encaminhamento para tratamento de pessoas em situação de rua que, segundo ele, não tenham discernimento mental para decidir pela própria internação. Em sabatina à CNN Brasil, o presidenciável diz que o país não pode deixar essas pessoas vivendo “igual a animais”.
“Eu acho que isso é injustiça. Você deixar um doido vivendo exatamente sem tomar banho, fazendo necessidade, dormindo em cima e por aí vai”, disse Zema.
A declaração ocorreu durante uma discussão sobre habitação e a revitalização de regiões centrais das grandes cidades. Ao defender incentivos para a recuperação de imóveis e ocupação dessas áreas, o candidato citou a presença de pessoas em situação de rua como um dos problemas enfrentados pelos centros urbanos.
“Nós temos uma oportunidade gigantesca de melhorarmos as grandes cidades, que estão virando, como todo mundo sabe, chiqueiro de morador de rua, lugar de crime, de pichação e de porta fechada, porque ninguém ali consegue sobreviver com uma degradação tão grande”, declarou.
Na sequência, Zema passou a tratar especificamente das políticas destinadas à população em situação de rua e disse que pessoas com dependência química ou transtornos que prejudiquem sua capacidade de decisão deveriam ser encaminhadas para atendimento mesmo quando não procuram espontaneamente tratamento.
“Eu ando na rua. O brasileiro que anda na rua enxerga. Estão vivendo ali semelhante a animais, sem dignidade, porque hoje nós não temos mais uma política efetiva para tirar essas pessoas da rua."
Criticou a interpretação de que a proteção aos direitos humanos impediria a intervenção do poder público nesses casos. “O pessoal de direitos humanos: ‘Ah, não pode tirá-los’. Nós temos dependentes químicos lá que não têm nenhum discernimento. Que dia que ele vai ter a cabeça boa para procurar uma clínica?”, diz Zema.
O candidato apontou como necessário o encaminhamento involuntário quando houver avaliação médica indicando falta de discernimento.
“Se a pessoa se negar a fazer um tratamento, se a família pedir para ir e vê claramente que a pessoa não tem discernimento mental, o laudo dado por um psiquiatra, nós não vamos deixar um doido na rua vivendo igual um animal”, declarou.
O presidenciável disse ainda que o problema não estaria restrito a uma cidade e citou São Paulo e Belo Horizonte como exemplos de locais onde percebe crescimento da população em situação de rua.
“É um problema gigante. Eu conheço São Paulo desde criança. Belo Horizonte é a mesma coisa. Não tinha o que está acontecendo. Nós estamos vendo um país fechando os olhos para problemas que estão crescendo a olhos vistos", conclui.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



