'Não farei economia com quem ganha salário mínimo', afirma Flávio Bolsonaro
Candidato do PL foi questionado sobre divergência entre seu plano de governo e declarações do coordenador da campanha e prometeu ajuste fiscal por corte de ministérios e combate à corrupção

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou na sabatina do Jornal Nacional desta sexta-feira (28) que não fará ajuste fiscal com corte em benefícios sociais. "Não farei economia com quem ganha salário mínimo, não farei economia com aposentados", declarou.
A resposta veio após questionamento sobre uma divergência entre o programa de governo registrado e declarações de integrantes da própria campanha.
A divergência apontada
A apresentadora Renata Vasconcellos afirmou que o coordenador da campanha critica a política atual de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias, enquanto o plano de governo do candidato não trata do tema. A jornalista também observou que o documento promete ajuste fiscal sem apresentar números ou prazos, indicando apenas que ocorreria "no menor prazo possível".
Questionado se o salário mínimo teria aumento real em uma eventual gestão, Flávio respondeu que não faria "economia em cima do povo mais sofrido brasileiro" e afirmou que aposentadorias e benefícios continuariam vinculados ao mínimo.
O que a campanha já havia dito
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou em declarações anteriores que o modelo econômico atual "está estourando" e defendeu revisar a Previdência e a legislação trabalhista.
Em abril, reportagem da Folha de S. Paulo revelou que a equipe econômica estudava corrigir aposentadorias, o BPC e os pisos de saúde e educação apenas pela inflação, sem ganho real, além de separar o reajuste do salário mínimo dos benefícios previdenciários. O plano previa ajuste inicial de cerca de 2% do PIB.
Em evento empresarial no Rio de Janeiro na semana passada, a coordenadora do plano econômico da campanha, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, foi questionada sobre eventual revisão na regra de reajuste do mínimo e respondeu que "a política é que vai decidir".
Atualmente, cerca de 70% dos benefícios pagos pelo INSS correspondem a um salário mínimo.
De onde sairia a economia
Flávio afirmou que o ajuste viria de outras frentes. Prometeu reduzir o número de ministérios, cortar cargos comissionados, revogar mais de mil atos normativos por decreto no início do mandato e implantar o que chamou de "tesouraço" na burocracia e nos impostos.
O candidato disse ainda que pretende criar um centro de dados soberano para monitorar gastos públicos, citando como referência Singapura e Coreia do Sul, e prometeu intensificar o combate à corrupção. Mencionou a MP 871, editada no governo do pai, que criou um pacote antifraude no INSS.
Sobre juros, afirmou que a Selic em patamar elevado consome cerca de R$ 1 trilhão por ano em pagamento de juros e que cada ponto percentual de redução liberaria cerca de R$ 90 bilhões no orçamento. Disse que a taxa cairia já na reunião seguinte do Copom apenas com o anúncio de sua eleição.
A sabatina
As entrevistas do Jornal Nacional reúnem os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, com 40 minutos cada. Já participaram Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Augusto Cury (Avante) encerra a série neste sábado (29).
O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



