Conheça a carreira política de Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência
Médico, ex-líder ruralista, deputado, senador e governador de Goiás, Caiado tentará chegar ao Palácio do Planalto pela segunda vez

Ronaldo Caiado (PSD) se afastou do governo de Goiás para ser um dos pré-candidatos à Presidência da República em 2026. Médico ortopedista, já atuou como deputado federal, senador e governador e disputará pela segunda vez as eleições presidenciais, três décadas após sua primeira tentativa.
Caiado vem de família tradicional da política goiana, com origem em Anápolis (GO). É neto de Antônio Ramos Caiado, oligarca que foi deputado federal entre 1909 e 1921 e senador entre 1921 e 1930. Formado em medicina, com especialização em ortopedia, Ronaldo Caiado construiu sua primeira grande projeção política não nas urnas, mas à frente de uma entidade.
Ele presidiu a União Democrática Ruralista (UDR) entre 1986 e 1989, organização criada para defender os interesses de proprietários rurais, especialmente no embate contra propostas de reforma agrária.
Primeira candidatura à Presidência
Foi ainda à frente da UDR que Caiado deu o salto para a disputa presidencial. Em 1989, ele deixou a liderança da entidade para concorrer à Presidência, mas obteve apenas 0,68% dos votos válidos. Terminou em décimo lugar e, no segundo turno, declarou apoio a Fernando Collor de Mello, mesmo pleito em que Lula fazia sua primeira tentativa ao Planalto.

Caiado então migrou para a disputa parlamentar. No ano seguinte à eleição de 1989, foi eleito o deputado federal mais votado de Goiás. Entre 1991 e 2015, somou cinco mandatos como deputado federal, os quatro últimos consecutivos, com atuação concentrada na defesa de pautas ligadas ao agronegócio e à segurança pública.
Ao longo de mais de duas décadas na Câmara, passou por legendas como PSD, PFL e PPR, que mais tarde dariam origem ao Democratas (DEM). Em 2014, deu novo passo na carreira ao ser eleito senador por Goiás, mandato que exerceu de 2015 até 2019.
Eleito em 2019, Caiado assumiu o governo de Goiás, cargo que ocupou por dois mandatos, até março deste ano, quando deixou o posto antes do fim do segundo mandato justamente para poder concorrer à Presidência.
Ao longo da gestão estadual, firmou no posto de um dos governadores mais bem avaliados do país, o que viria a pesar na escolha do PSD para a disputa de 2026.
Propostas para o mandato
Ao longo da pré-campanha, Caiado tem defendido uma agenda voltada para segurança pública, como a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, o aumento da autonomia de governadores e prefeitos e a revisão de pontos da reforma tributária.
O agronegócio está no centro de sua campanha. A ampliação do seguro rural, a regularização de propriedades no campo e o endurecimento do combate às invasões de terra são bandeiras do pré-candidato.

Na área trabalhista, propõe maior flexibilidade em contraponto ao 6x1 ou 5x2, modelos tradicionais de jornada, por um sistema de remuneração por hora trabalhada. O formato, em sua visão, permitiria que empregados e empregadores ajustassem a carga horária de acordo com suas necessidades.
"Se o cidadão quiser trabalhar um dia, trabalha. Se ele quiser trabalhar dois dias, trabalha. Se ele não quiser trabalhar nenhum dia, não trabalha. Você trabalha por hora", diz Caiado em uma entrevista concedida à Itatiaia. O ex-governador acrescenta que o modelo contribuiria para uma relação mais equilibrada entre trabalhadores e empresas.
A concessão de anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de janeiro está entre as prioridades de Caiado para um eventual mandato presidencial. Segundo o pré-candidato, o país precisa superar as disputas em torno do episódio e "no dia seguinte o Brasil discutirá saúde, tecnologia e disputar com o mundo em termos de resultado para a população brasileira."
Candidatura à presidente em 2026
A indicação ao Planalto não veio sem disputa interna. Caiado foi escolhido pelo PSD após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, e superou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na disputa interna pela indicação do partido.
Caiado diz que não se inclui como terceira via à polarização entre Lula e a família Bolsonaro, mas sim como um candidato que carrega uma longa bagagem de experiência na política parlamentar. “A vacina contra o PT é administrar bem. O PL ganhou, não atendeu, decepcionou o eleitorado. O PT voltou”, pontua.
Ele também defende que esse cenário é sustentado por um projeto político de quem se beneficia dele e pode ser desativado por alguém que não faz parte dessa disputa.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.




