Cleitinho diz que é possível compensar redução de IPVA sem quebrar contas públicas
Candidato ao governo afirma que cobrança pesa sobre famílias de baixa renda e rebate argumento de que redução do imposto reduziria circulação de recursos no estado

Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais, defendeu sua proposta de reduzir a alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) no estado, caso seja eleito. A declaração ocorreu durante sabatina na CNN Brasil, nesta quinta-feira (27).
O candidato reconhece que a proposta tem gerado questionamentos sobre a competência de um governador para promover a mudança, mas sustentou que o governo estadual tem instrumentos para alterar a cobrança.
Ao ser perguntado sobre quais medidas adotaria em um eventual governo, Cleitinho diz que pretende dar continuidade ao que considera positivo na atual gestão, mas colocou o combate ao que chama de “injustiças” como uma de suas prioridades.
“O que for bom do governo é sempre dar continuidade. Isso eu vou fazer com muita humildade. Não estou aqui para atacar o governo atual”, declarou.
Na sequência, o candidato citou despesas que pesam no orçamento das famílias, como contas de água e energia, além do IPVA, e disse que os custos atingem principalmente trabalhadores de menor renda.
O candidato afirmou que uma das críticas à proposta é a alegação de que o governador não teria competência para promover a mudança. Ele rebateu o argumento ao destacar que a cobrança é estadual. “Se eu sou o governador, e quem cobra o IPVA é o governo, então eu tenho competência, sim, para dar várias alternativas."
Além da questão jurídica, Cleitinho apresentou uma justificativa econômica para a proposta. Na avaliação dele, o Estado não deve considerar que o dinheiro deixaria de circular caso o cidadão não pagasse o IPVA.
O candidato citou o caso de um trabalhador beneficiado pela Emenda Constitucional 137, originada da PEC 72/2023, apresentada por Cleitinho no Senado, que tornou imunes ao IPVA veículos com 20 anos ou mais de fabricação. Segundo o relato reproduzido pelo candidato, o homem procurou suas redes sociais para agradecer porque usou o dinheiro que seria destinado ao imposto para comprar leite para a filha.
“Ele não guardou dinheiro na gaveta. Ele pegou o dinheiro e já está na economia novamente.” Cleitinho usou o exemplo para argumentar que a redução da carga sobre o contribuinte não significaria, necessariamente, retirada de recursos da economia, já que o valor poderia ser gasto em outras despesas familiares e voltar a circular pelo comércio.
O candidato também relacionou a cobrança do imposto às condições das estradas mineiras, que classificou como ruins, e argumentou que o cidadão paga um tributo elevado sem receber, na avaliação dele, uma contrapartida adequada em infraestrutura.
A fala ocorreu no início da sabatina, quando o candidato foi provocado a apontar quais políticas manteria da atual administração e qual seria uma de suas primeiras medidas caso assumisse o Palácio Tiradentes.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



