Conheça a carreira política de Lula, pré-candidato à reeleição da Presidência
Atual presidente do Brasil já disputou seis eleições presidenciais e governou o país por três mandatos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve disputar novamente a Presidência da República nas eleições de 2026, pela sétima vez. Lula voltou ao cargo que ocupa atualmente em 2023, após ter governado o país de 2003 à 2011, e poderá buscar uma nova reeleição, o que o levaria a um quarto mandato à frente do país.
Aos 80 anos, Lula caminha para disputar um quarto mandato presidencial. Embora tenha declarado durante a campanha de 2022 que não pretendia buscar a reeleição, o presidente do PT, Edinho Silva, já afirmou publicamente que o atual presidente será o candidato do partido na disputa de 2026. Para a direção petista, Lula continua sendo o principal nome do campo da esquerda para a eleição.
Mas antes de chegar ao Palácio do Planalto e se tornar uma das figuras mais conhecidas internacionalmente da política brasileira, Lula começou no movimento sindical do ABC paulista.
Como Lula entrou na política
Pernambucano e sétimo filho de Dona Lindu, Lula migrou ainda criança com a família para o estado de São Paulo para escapar da seca e fome no interior do nordeste. Na capital paulista, foi alfabetizado e alcançou o primeiro e único diploma que viria a ter, o de torneiro mecânico, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
Trabalhou em diferentes indústrias da região do ABC Paulista, importante polo metalúrgico do país. Ali foi onde teve contato com o movimento sindical e, a partir de 1969, começou a se eleger em cargos sindicais, inicialmente como suplente, após como primeiro-secretário até se tornar presidente, reeleito em 1978. Na mesma epóca, os primeiros grevistas começaram a parar fábricas da região, por arrochos salariais e perdas de benefícios.
Mesmo sob as repressões policiais, cerca de 200 mil operários pararam o ABC paulista e criaram mecanismos inéditos de organização, como os fundos de greve. Mas a resposta do regime militar foi dura, com intervenção no sindicato e prisão de lideranças. Em 1980, durante intervenção federal no sindicato, Lula foi preso com base na Lei de Segurança Nacional, por policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), ficando detido por aproximadamente um mês.

Com a prisão de líderes, as greves se fortaleceram, junto a um projeto que já vinha sendo pensado. Em 1980, o Partido dos Trabalhadores era criado por sindicalistas, intelectuais, artistas e lideranças comunitárias, incluindo Lula, vindo da necessidade de um partido político que representasse os trabalhadores.
Mandatos presidenciais
Antes de chegar à presidência, passou por outras disputas eleitorais. Recém-fundado o PT, Lula foi candidato ao governo do estado de São Paulo em 1982. Não se elegeu, mas a candidatura espalhou o partido pelo país.
No ano seguinte, ele participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principal central sindical do Brasil, e em 1984 foi uma das principais lideranças da campanha das "Diretas Já".
O primeiro cargo público de fato ocupado veio em 1986, com a ocupação a cadeira parlamentar de deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte com a maior votação do país naquele pleito, recebendo 651.763 votos.
No mandato, que foi de 1987 a 1990, Lula defendeu principalmente direitos sociais dos trabalhadores e atuou como liderança de oposição aos governos José Sarney e Fernando Collor, chegando a apresentar seis projetos de lei voltados à correção salarial e a benefícios previdenciários.
Foi também o único mandato parlamentar de sua carreira, diferentemente de Geraldo Alckmin, colega de Constituinte que viria a ser seu vice em 2022, Lula não disputou reeleição para a Câmara.
Depois da redemocratização, Lula passou a concentrar suas energias na disputa presidencial e o caminho foi mais longo do que se costuma lembrar.
- Em 1989, primeira eleição direta para presidente em 29 anos, Lula chegou ao segundo turno e perdeu por margem pequena para Fernando Collor de Mello.
- Em 1994, uma nova candidatura, derrotada já no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
- Em 1998, houve a terceira tentativa, novamente derrotado por FHC no primeiro turno.
- Em 2002, somente na quarta candidatura, Lula chegou à presidência. Venceu José Serra (PSDB) no segundo turno, e em 2006 repetiu a vitória, dessa vez sobre Geraldo Alckmin, também em segundo turno.
Governou de 2003 a 2010, ao longo de dois mandatos consecutivos. Ao final do segundo mandato, sua avaliação com a população era positiva e recorde. Pesquisa do IBOPE da época indicava 80% de aprovação. Nas eleições de 2010, indicou Dilma Rousseff, também do PT, como sua sucessora. Eleita e reeleita em 2014, a ex-presidenta teve o mandato interrompido por um processo de impeachment em 2016.
Lava Jato e a nova prisão de Lula
O cenário mudou para Lula a partir da Operação Lava Jato, deflagrada em 2014 para investigar um esquema de corrupção na Petrobras. Em 2017, o então juiz federal Sérgio Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso conhecido como "tríplex do Guarujá", apartamento que o Ministério Público apontava ter sido recebido como propina da empreiteira OAS.
Lula se entregou à Polícia Federal em abril de 2018 e ficou preso até novembro do ano seguinte, quando o Supremo Tribunal Federal alterou o entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância. Ao todo, foram 580 dias atrás das grades.

Uma nova reviravolta veio em 2021, em março, quando o ministro Edson Fachin anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato. O caso tramitou na 13ª Vara Federal de Curitiba e Fachin entendeu que a vara não tinha competência para julgar os processos, que deveriam ter ocorrido na Justiça Federal do Distrito Federal.
Dias depois, o plenário do STF votou, por 7 votos a 4, a confirmação de que Sérgio Moro havia atuado com parcialidade ao julgar o caso, o que tornou nulos todos os atos do processo conduzidos por ele.
O entendimento foi posteriormente ampliado para outros processos contra Lula, como os do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, que deveriam seguir o mesmo caminho, fora da Vara de Curitiba.
Em 2022, o Comitê de Direitos Humanos da ONU também concluiu que houve parcialidade de Moro no julgamento dos processos contra o petista. As anulações tiveram caráter processual, relacionadas à competência do juízo e à imparcialidade do julgador, e não uma absolvição de mérito sobre os fatos investigados.
Por que Lula pode disputar um quarto mandato?
Na prática, isso significou que Lula deixou de ter qualquer condenação válida em seu nome e, com isso, recuperou integralmente seus direitos políticos. O que lhe permitiu concorrer e vencer as eleições de 2022.
A Constituição brasileira veda um terceiro mandato consecutivo, mas não limita o número total de vezes que alguém pode ser eleito presidente, desde que haja intervalo. Como Lula governou de 2003 a 2011 e só retornou ao Planalto em 2023, seu mandato atual (2023-2026) é juridicamente o "primeiro" de um novo ciclo.
Portanto, ele pode buscar a reeleição para 2027-2030, o que seria seu quarto mandato no total, mas apenas o segundo consecutivo desta vez.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.




