Dia do Trabalhador: fim da escala 6x1 vira tema de atos em BH e no Brasil
Manifestações em Belo Horizonte e outras cidades destacam o fim da escala 6x1 e ocorrem após semana de reveses políticos para o governo federal

Nesta sexta-feira (1º de maio), Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não confirmou presença nos atos que devem ter como principal pauta o fim da escala 6x1, tema que mobiliza a tradicional manifestação em diversas capitais do Brasil. Em Belo Horizonte, o ato está marcado para as 9h. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), outras entidades sindicais e partidos de esquerda devem se reunir na Praça Raul Soares, no Centro da capital, em um protesto unificado por pautas trabalhistas.
Na Grande BH, em Contagem, ocorreu às 7h a tradicional Missa dos Trabalhadores, na Praça da Cemig, na Cidade Industrial.
Os atos de 1º de maio marcam a primeira mobilização de rua de movimentos de esquerda após uma semana de derrotas importantes para o governo Lula, como a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, que prevê penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Lula participou de um evento do tipo pela última vez em 2024, durante um ato realizado em São Paulo, sendo este o segundo ano consecutivo fora dos eventos promovidos pelas centrais sindicais.
O Palácio do Planalto não comentou o motivo da ausência do presidente, que deve permanecer em Brasília, sem previsão de agenda pública. O representante do governo será Guilherme Boulos, que participará do evento em São Bernardo do Campo (SP), ao lado do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e de Edinho Silva, presidente do PT.
Pronunciamento do presidente
Durante seu pronunciamento nessa quinta-feira (30), pelo 1º de Maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a redução da jornada no centro da agenda, ao defender o fim da escala 6x1, e anunciou medidas para renegociação de dívidas e restrição a apostas on-line.
A proposta de mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, tem sido tratada por aliados como uma das principais apostas para retomar uma pauta positiva. No discurso, Lula afirmou que enviou ao Congresso um projeto para reduzir a jornada semanal para até 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução de salários.
"Não faz sentido que, em pleno século 21, milhões de brasileiros tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia", disse Lula.
O presidente associou a proposta à melhoria da qualidade de vida. “O fim da escala 6x1 vai garantir mais tempo com a família, mais tempo para cuidar da saúde, estudar e viver além do trabalho”, afirmou. Também destacou o impacto sobre as mulheres: “Para as mulheres, a situação é muito mais difícil”.
A medida enfrenta resistência no Legislativo e deve ser um dos principais embates políticos das próximas semanas. O governo trata o tema como prioridade, enquanto parte dos demais pré-candidatos à presidência da República se opõe a discussão. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), defende maior flexibilidade nas relações de trabalho, mas sem alteração na jornada. Já o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fala em revisão da CLT e pagamento por hora.
Principal nome da oposição na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não se manifestou publicamente sobre o tema. Porém, o PL defende abertamente a criação de mecanismos de compensação para empregadores, a fim de mitigar os impactos da medida, como uma desoneração da folha de pagamentos - algo que o governo não cogita.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
