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Educação: veja o que propõem os principais candidatos ao governo de Minas

Do fim da militarização das escolas à gestão por resultados pedagógicos, veja o que prometem os principais candidatos ao Governo de MG

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Montagem com fotos dos seis principais candidatos ao Governo de Minas Gerais. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Mateus Simões, Flávio Roscoe, Patrus Ananias, Alexandre Kalil, Gabriel Azevedo e Cleitinho
Candidatos ao Governo de Minas Gerais. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Mateus Simões, Flávio Roscoe, Patrus Ananias, Alexandre Kalil, Gabriel Azevedo e Cleitinho apresentam suas propostas para a educação nos planos de governo registrados no TSE • Guilherme Bergamini/ALMG; Edson Costa/Itatiaia; Elza Fiúza/Agência Brasil; Divulgação/Campanha; Divulgação/Campanha; Pedro França/Agência Senado

Os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos ao governo de Minas Gerais convergem em dois pontos no tema da educação: o ensino médio como etapa mais crítica e a valorização dos professores como condição para qualquer avanço,

Porém, os documentos se afastam em temas concretos, como o papel das avaliações, o modelo de gestão das escolas e o uso da tecnologia em sala de aula. A Itatiaia separou as principais ideias dos postulantes ao Palácio Tiradentes para a educação.

O levantamento tem como base os documentos oficiais registrados pelas campanhas e disponibilizados na plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Abaixo, você confere as ideias contidas nos planos de governo das seis principais candidaturas.

Cleitinho Azevedo (Republicanos)

A proposta de Cleitinho Azevedo foca em recuperar o que os alunos deixaram de aprender, reformar as escolas e aproximar o curso técnico do emprego que existe em cada região.

  • Recuperar conteúdo perdido: foco em alfabetizar na idade certa e repor o que ficou para trás, com apoio técnico às prefeituras. Alunos com deficiência e neurodivergentes teriam atendimento educacional especializado e profissional de apoio em sala.
  • Procurar quem parou de estudar: trabalho conjunto com a assistência social e os conselhos tutelares para localizar e trazer de volta jovens que abandonaram a escola.
  • Dia inteiro na escola, com aulas novas: ampliação do tempo integral acompanhada da entrada de educação financeira, empreendedorismo e cidadania na grade.
  • Programação e robótica em sala: inclusão de aulas de tecnologia, programação, robótica e inteligência artificial na rede estadual.
  • Curso técnico ligado ao emprego da região: reformulação do programa Trilhas de Futuro para que os cursos oferecidos correspondam às vagas que realmente existem em cada área do estado.
  • Câmeras nas escolas: instalação de monitoramento ligado às forças de segurança, com protocolos de prevenção e resposta à violência.
  • Carreira e saúde do professor: plano de carreira de longo prazo, concursos regulares, menos burocracia sobre o docente e programa de atenção à saúde mental dos educadores.

Flávio Roscoe (PL)

O plano de Flávio Roscoe parte de uma contradição apontada no próprio diagnóstico: Minas passou a alfabetizar bem as crianças de 7 anos, saindo da sétima para a terceira posição no país, mas os alunos vão piorando ao longo dos anos seguintes.

O documento cita o Simave 2025, segundo o qual 67,3% dos estudantes da 1ª série do ensino médio estão abaixo do nível recomendado em português e 90,1% em matemática.

  • Um plano de ação por escola: o modelo chamado de Gestão para Resultados Pedagógicos obrigaria cada escola a identificar por que seus alunos não estão aprendendo, definir metas, montar um plano e ser acompanhada, o que permitiria enxergar unidade por unidade onde o problema é mais grave.
  • Seguir a mesma turma ao longo dos anos: criação de um indicador estadual, medido a cada dois anos, que acompanharia os mesmos alunos da alfabetização até o nono ano. Segundo o documento, o Ideb mede momentos separados, e por isso não mostra se a criança que foi bem aos 7 anos continuou indo bem depois.
  • Diretor escolhido por competência: endurecimento do processo de seleção para que a direção da escola deixe de ser cargo definido por indicação política.
  • Internet rápida em toda escola estadual:universalização do acesso, acompanhada de formação dos professores para usar plataformas digitais em aula.
  • Curso técnico onde há indústria e pouca renda: ampliação da rede profissionalizante com prioridade para municípios de baixo IDH que já concentram fábricas, com cursos definidos junto a sindicatos patronais e empresas locais.
  • Mestrado e doutorado para quem já dá aula: formação continuada pela Academia Cide, incluindo pós-graduação para professores que já estão na rede.

Gabriel Azevedo (MDB)

O plano de Gabriel Azevedo se baseia na ideia de que "a escola garante a vaga, mas ainda não garante a aprendizagem". O dado destacado é o Ideb do ensino médio em 4,5, abaixo da meta de 5,5.

  • Decidir com base no que a escola mostra: os indicadores de aprendizagem passariam a definir onde colocar dinheiro, qual escola socorrer primeiro e que curso oferecer ao professor, em vez de servirem apenas para divulgação.
  • Volta do Simave: reativação da avaliação estadual, com a finalidade de apontar o que os alunos não aprenderam e orientar o apoio à escola, e não de montar ranking.
  • Supervisor cuidando de aula: o plano propõe deslocar a supervisão pedagógica estadual do que chama de "fiscalização burocrática de pequenos problemas prediais" para o acompanhamento do currículo, dos resultados e do retorno a professores e diretores. O documento ressalva que a responsabilidade pelos prédios estaduais continua sendo do Estado.
  • Efetivo no lugar do contrato temporário: redução da dependência de professores contratados por prazo determinado, com concursos regulares e plano de carreira com dinheiro previsto no orçamento.
  • Ensino médio sem falsa escolha: o documento defende não tratar o curso técnico como única saída para o jovem, nem colocar técnico e ensino médio comum como opções rivais.
  • Escola segura pelo convívio: política de prevenção da violência com apoio psicológico e mediação de conflitos, com prioridade para a inclusão de alunos com autismo.

Mateus Simões (PSD)

O documento que detalha as propostas de Mateus Simões, atual governador e candidato à reeleição, afirma que Minas tem a maior rede estadual de ensino básico do país e que os indicadores melhoraram nos últimos anos.

Aponta o ensino médio como principal problema, por causa do atraso na aprendizagem, do abandono escolar e das diferenças entre regiões.

  • Mais tempo na escola: continuidade da expansão do ensino em tempo integral, que o documento classifica como a política que mais melhora a aprendizagem e reduz desigualdade entre alunos.
  • Internet e recursos digitais em sala: ampliação da conectividade das escolas e uso de ferramentas digitais para adaptar o ensino ao ritmo de cada estudante.
  • Curso técnico conforme a vocação da região: ampliação da formação profissional alinhada ao que cada parte do estado produz.
  • Apoio a aluno com deficiência e neurodivergente: fortalecimento do atendimento especializado, incluindo estudantes com altas habilidades, com formação dos profissionais da rede.
  • Família escolhe o modelo de escola: preservação de diferentes modelos pedagógicos para que as famílias possam optar, e ampliação de experiências formativas complementares, inclusive intercâmbio.

Patrus Ananias (PT)

A proposta de Patrus Ananias trata a educação como direito e afirma que o aprendizado depende também de saúde, alimentação, moradia e condições de vida.

  • Escola pública de volta ao Estado: compromisso de reverter a privatização de escolas estaduais e encerrar a militarização das unidades.
  • Ajudar as prefeituras nos primeiros anos: reforço da cooperação com os municípios, que são responsáveis pela educação infantil e pelo início do fundamental.
  • Tempo integral com curso técnico junto: ampliação gradual das vagas de escola em tempo integral, unindo o ensino comum à formação profissional.
  • Mais vagas para quem ficou para trás: ampliação da Educação de Jovens e Adultos, principalmente no ensino médio, para que quem interrompeu os estudos consiga concluir.
  • Programa de convivência nas escolas: ação conjunta entre educação, saúde, assistência social, justiça e segurança para prevenir a violência e mediar conflitos, somada a programas de saúde mental para os professores.
  • Dinheiro garantido para as universidades estaduais: financiamento estável, concursos e respeito à autonomia na UEMG e na Unimontes, além do fortalecimento da Fapemig, agência estadual que financia pesquisa científica.

Alexandre Kalil (PDT)

O plano de Alexandre Kalil sustenta que não adianta cobrar resultado de escola que não tem estrutura para funcionar, e propõe o que chama de qualidade social: professor valorizado, biblioteca com livros, laboratório funcionando, quadra e prédio em condições de uso.

  • Reforma e manutenção contínuas: programa permanente de recuperação dos prédios escolares, que inclui desde bibliotecas e laboratórios até banheiros e conforto térmico nas salas de aula.
  • Secretaria mais perto da escola: a Secretaria de Educação e as 47 superintendências regionais, que são os escritórios responsáveis por administrar as escolas em cada região do estado, voltariam a resolver problemas do dia a dia das unidades, em vez de apenas repassar normas.
  • Menos professor temporário: o documento afirma que a troca constante de docentes e os contratos temporários que se estendem por anos atrapalham o aprendizado, porque a turma muda de professor no meio do caminho. A formação dos professores passaria a ser organizada por região, em parceria com UEMG, Unimontes, universidades federais e institutos federais.
  • Prova para saber o que precisa ser retomado: as avaliações serviriam para o professor descobrir qual conteúdo a turma não aprendeu e voltar nele, e não para classificar escolas. O plano afirma que nenhuma escola será reduzida a uma nota.
  • Segurar o jovem no ensino médio: para reduzir o abandono escolar, a proposta combina aulas com esporte, cultura, ciência e orientação profissional, e prevê procurar um a um os alunos que pararam de frequentar. A escola em tempo integral, com o estudante no colégio o dia inteiro, seria ampliada onde houver estrutura, com a ressalva de que não basta aumentar as horas.
  • Tecnologia para o professor: computadores e inteligência artificial serviriam para o professor preparar aula e material, e não para substituir a explicação em sala. O plano diz que a escola não será transformada em uma sala de telas.
  • Universidade pública antes da empresa privada: antes de contratar cursos, material didático ou pesquisa de fora, o Estado verificaria se as universidades públicas mineiras já conseguem fazer o serviço.

Convergências e diferenças entre os planos

  • Ensino médio e tempo integral: os seis planos apontam o ensino médio como a etapa mais crítica da rede estadual. Cinco deles propõem ampliar a escola em tempo integral como parte da resposta: Kalil, Cleitinho, Roscoe, Simões e Patrus. O capítulo de educação de Gabriel Azevedo não trata da ampliação da jornada.
  • Modelo de gestão das escolas: o documento de Patrus Ananias propõe reestatizar as escolas estaduais privatizadas e encerrar a militarização das unidades. Já o plano de Mateus Simões prevê preservar a diversidade de modelos pedagógicos, assegurando às famílias possibilidade de escolha.
  • Uso da tecnologia: os planos divergem sobre a quem a ferramenta se destina. Cleitinho propõe incorporar aulas de programação, robótica e inteligência artificial para os estudantes. Alexandre Kalil coloca a tecnologia como apoio ao trabalho do professor e afirma que a escola não será transformada em uma sala de telas. Flávio Roscoe concentra a proposta na universalização da internet nas escolas.
  • Papel das avaliações: Gabriel Azevedo propõe reativar e modernizar o Simave, e Flávio Roscoe defende criar um índice estadual que acompanhe a mesma turma da alfabetização ao nono ano. Alexandre Kalil sustenta que a educação não pode ser administrada apenas a partir de índices e que nenhuma escola será reduzida a uma nota, embora também preveja avaliações diagnósticas.
  • Violência na escola: as respostas são de naturezas diferentes. Cleitinho propõe videomonitoramento integrado às forças de segurança. Gabriel Azevedo e Patrus Ananias propõem políticas de convivência, apoio psicossocial e mediação de conflitos.
  • Produção do conhecimento pedagógico: o plano de Alexandre Kalil prevê avaliar a capacidade das universidades públicas mineiras antes de contratar serviços externos de formação e material didático. O de Flávio Roscoe estrutura o diagnóstico e a formação continuada em torno da Fundação da Cide e da Academia Cide.

Como está a disputa

Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostra o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança do cenário estimulado de primeiro turno, com 32% das intenções de voto.

Os ex-prefeitos de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) aparecem empatados na segunda colocação, ambos com 12%.

Em seguida vêm Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD) e Gabriel Azevedo (MDB), com 4% cada. As demais candidaturas somam 2% ou menos. Brancos, nulos e nenhum reúnem 14%, e 13% dos entrevistados não souberam responder.

O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 18 e 20 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-00446/2026.

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Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.

 

 

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