Educação: veja o que propõem os principais candidatos ao governo de Minas
Do fim da militarização das escolas à gestão por resultados pedagógicos, veja o que prometem os principais candidatos ao Governo de MG

Os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos ao governo de Minas Gerais convergem em dois pontos no tema da educação: o ensino médio como etapa mais crítica e a valorização dos professores como condição para qualquer avanço,
Porém, os documentos se afastam em temas concretos, como o papel das avaliações, o modelo de gestão das escolas e o uso da tecnologia em sala de aula. A Itatiaia separou as principais ideias dos postulantes ao Palácio Tiradentes para a educação.
O levantamento tem como base os documentos oficiais registrados pelas campanhas e disponibilizados na plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Abaixo, você confere as ideias contidas nos planos de governo das seis principais candidaturas.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
A proposta de Cleitinho Azevedo foca em recuperar o que os alunos deixaram de aprender, reformar as escolas e aproximar o curso técnico do emprego que existe em cada região.
- Recuperar conteúdo perdido: foco em alfabetizar na idade certa e repor o que ficou para trás, com apoio técnico às prefeituras. Alunos com deficiência e neurodivergentes teriam atendimento educacional especializado e profissional de apoio em sala.
- Procurar quem parou de estudar: trabalho conjunto com a assistência social e os conselhos tutelares para localizar e trazer de volta jovens que abandonaram a escola.
- Dia inteiro na escola, com aulas novas: ampliação do tempo integral acompanhada da entrada de educação financeira, empreendedorismo e cidadania na grade.
- Programação e robótica em sala: inclusão de aulas de tecnologia, programação, robótica e inteligência artificial na rede estadual.
- Curso técnico ligado ao emprego da região: reformulação do programa Trilhas de Futuro para que os cursos oferecidos correspondam às vagas que realmente existem em cada área do estado.
- Câmeras nas escolas: instalação de monitoramento ligado às forças de segurança, com protocolos de prevenção e resposta à violência.
- Carreira e saúde do professor: plano de carreira de longo prazo, concursos regulares, menos burocracia sobre o docente e programa de atenção à saúde mental dos educadores.
Flávio Roscoe (PL)
O plano de Flávio Roscoe parte de uma contradição apontada no próprio diagnóstico: Minas passou a alfabetizar bem as crianças de 7 anos, saindo da sétima para a terceira posição no país, mas os alunos vão piorando ao longo dos anos seguintes.
O documento cita o Simave 2025, segundo o qual 67,3% dos estudantes da 1ª série do ensino médio estão abaixo do nível recomendado em português e 90,1% em matemática.
- Um plano de ação por escola: o modelo chamado de Gestão para Resultados Pedagógicos obrigaria cada escola a identificar por que seus alunos não estão aprendendo, definir metas, montar um plano e ser acompanhada, o que permitiria enxergar unidade por unidade onde o problema é mais grave.
- Seguir a mesma turma ao longo dos anos: criação de um indicador estadual, medido a cada dois anos, que acompanharia os mesmos alunos da alfabetização até o nono ano. Segundo o documento, o Ideb mede momentos separados, e por isso não mostra se a criança que foi bem aos 7 anos continuou indo bem depois.
- Diretor escolhido por competência: endurecimento do processo de seleção para que a direção da escola deixe de ser cargo definido por indicação política.
- Internet rápida em toda escola estadual:universalização do acesso, acompanhada de formação dos professores para usar plataformas digitais em aula.
- Curso técnico onde há indústria e pouca renda: ampliação da rede profissionalizante com prioridade para municípios de baixo IDH que já concentram fábricas, com cursos definidos junto a sindicatos patronais e empresas locais.
- Mestrado e doutorado para quem já dá aula: formação continuada pela Academia Cide, incluindo pós-graduação para professores que já estão na rede.
Gabriel Azevedo (MDB)
O plano de Gabriel Azevedo se baseia na ideia de que "a escola garante a vaga, mas ainda não garante a aprendizagem". O dado destacado é o Ideb do ensino médio em 4,5, abaixo da meta de 5,5.
- Decidir com base no que a escola mostra: os indicadores de aprendizagem passariam a definir onde colocar dinheiro, qual escola socorrer primeiro e que curso oferecer ao professor, em vez de servirem apenas para divulgação.
- Volta do Simave: reativação da avaliação estadual, com a finalidade de apontar o que os alunos não aprenderam e orientar o apoio à escola, e não de montar ranking.
- Supervisor cuidando de aula: o plano propõe deslocar a supervisão pedagógica estadual do que chama de "fiscalização burocrática de pequenos problemas prediais" para o acompanhamento do currículo, dos resultados e do retorno a professores e diretores. O documento ressalva que a responsabilidade pelos prédios estaduais continua sendo do Estado.
- Efetivo no lugar do contrato temporário: redução da dependência de professores contratados por prazo determinado, com concursos regulares e plano de carreira com dinheiro previsto no orçamento.
- Ensino médio sem falsa escolha: o documento defende não tratar o curso técnico como única saída para o jovem, nem colocar técnico e ensino médio comum como opções rivais.
- Escola segura pelo convívio: política de prevenção da violência com apoio psicológico e mediação de conflitos, com prioridade para a inclusão de alunos com autismo.
Mateus Simões (PSD)
O documento que detalha as propostas de Mateus Simões, atual governador e candidato à reeleição, afirma que Minas tem a maior rede estadual de ensino básico do país e que os indicadores melhoraram nos últimos anos.
Aponta o ensino médio como principal problema, por causa do atraso na aprendizagem, do abandono escolar e das diferenças entre regiões.
- Mais tempo na escola: continuidade da expansão do ensino em tempo integral, que o documento classifica como a política que mais melhora a aprendizagem e reduz desigualdade entre alunos.
- Internet e recursos digitais em sala: ampliação da conectividade das escolas e uso de ferramentas digitais para adaptar o ensino ao ritmo de cada estudante.
- Curso técnico conforme a vocação da região: ampliação da formação profissional alinhada ao que cada parte do estado produz.
- Apoio a aluno com deficiência e neurodivergente: fortalecimento do atendimento especializado, incluindo estudantes com altas habilidades, com formação dos profissionais da rede.
- Família escolhe o modelo de escola: preservação de diferentes modelos pedagógicos para que as famílias possam optar, e ampliação de experiências formativas complementares, inclusive intercâmbio.
Patrus Ananias (PT)
A proposta de Patrus Ananias trata a educação como direito e afirma que o aprendizado depende também de saúde, alimentação, moradia e condições de vida.
- Escola pública de volta ao Estado: compromisso de reverter a privatização de escolas estaduais e encerrar a militarização das unidades.
- Ajudar as prefeituras nos primeiros anos: reforço da cooperação com os municípios, que são responsáveis pela educação infantil e pelo início do fundamental.
- Tempo integral com curso técnico junto: ampliação gradual das vagas de escola em tempo integral, unindo o ensino comum à formação profissional.
- Mais vagas para quem ficou para trás: ampliação da Educação de Jovens e Adultos, principalmente no ensino médio, para que quem interrompeu os estudos consiga concluir.
- Programa de convivência nas escolas: ação conjunta entre educação, saúde, assistência social, justiça e segurança para prevenir a violência e mediar conflitos, somada a programas de saúde mental para os professores.
- Dinheiro garantido para as universidades estaduais: financiamento estável, concursos e respeito à autonomia na UEMG e na Unimontes, além do fortalecimento da Fapemig, agência estadual que financia pesquisa científica.
Alexandre Kalil (PDT)
O plano de Alexandre Kalil sustenta que não adianta cobrar resultado de escola que não tem estrutura para funcionar, e propõe o que chama de qualidade social: professor valorizado, biblioteca com livros, laboratório funcionando, quadra e prédio em condições de uso.
- Reforma e manutenção contínuas: programa permanente de recuperação dos prédios escolares, que inclui desde bibliotecas e laboratórios até banheiros e conforto térmico nas salas de aula.
- Secretaria mais perto da escola: a Secretaria de Educação e as 47 superintendências regionais, que são os escritórios responsáveis por administrar as escolas em cada região do estado, voltariam a resolver problemas do dia a dia das unidades, em vez de apenas repassar normas.
- Menos professor temporário: o documento afirma que a troca constante de docentes e os contratos temporários que se estendem por anos atrapalham o aprendizado, porque a turma muda de professor no meio do caminho. A formação dos professores passaria a ser organizada por região, em parceria com UEMG, Unimontes, universidades federais e institutos federais.
- Prova para saber o que precisa ser retomado: as avaliações serviriam para o professor descobrir qual conteúdo a turma não aprendeu e voltar nele, e não para classificar escolas. O plano afirma que nenhuma escola será reduzida a uma nota.
- Segurar o jovem no ensino médio: para reduzir o abandono escolar, a proposta combina aulas com esporte, cultura, ciência e orientação profissional, e prevê procurar um a um os alunos que pararam de frequentar. A escola em tempo integral, com o estudante no colégio o dia inteiro, seria ampliada onde houver estrutura, com a ressalva de que não basta aumentar as horas.
- Tecnologia para o professor: computadores e inteligência artificial serviriam para o professor preparar aula e material, e não para substituir a explicação em sala. O plano diz que a escola não será transformada em uma sala de telas.
- Universidade pública antes da empresa privada: antes de contratar cursos, material didático ou pesquisa de fora, o Estado verificaria se as universidades públicas mineiras já conseguem fazer o serviço.
Convergências e diferenças entre os planos
- Ensino médio e tempo integral: os seis planos apontam o ensino médio como a etapa mais crítica da rede estadual. Cinco deles propõem ampliar a escola em tempo integral como parte da resposta: Kalil, Cleitinho, Roscoe, Simões e Patrus. O capítulo de educação de Gabriel Azevedo não trata da ampliação da jornada.
- Modelo de gestão das escolas: o documento de Patrus Ananias propõe reestatizar as escolas estaduais privatizadas e encerrar a militarização das unidades. Já o plano de Mateus Simões prevê preservar a diversidade de modelos pedagógicos, assegurando às famílias possibilidade de escolha.
- Uso da tecnologia: os planos divergem sobre a quem a ferramenta se destina. Cleitinho propõe incorporar aulas de programação, robótica e inteligência artificial para os estudantes. Alexandre Kalil coloca a tecnologia como apoio ao trabalho do professor e afirma que a escola não será transformada em uma sala de telas. Flávio Roscoe concentra a proposta na universalização da internet nas escolas.
- Papel das avaliações: Gabriel Azevedo propõe reativar e modernizar o Simave, e Flávio Roscoe defende criar um índice estadual que acompanhe a mesma turma da alfabetização ao nono ano. Alexandre Kalil sustenta que a educação não pode ser administrada apenas a partir de índices e que nenhuma escola será reduzida a uma nota, embora também preveja avaliações diagnósticas.
- Violência na escola: as respostas são de naturezas diferentes. Cleitinho propõe videomonitoramento integrado às forças de segurança. Gabriel Azevedo e Patrus Ananias propõem políticas de convivência, apoio psicossocial e mediação de conflitos.
- Produção do conhecimento pedagógico: o plano de Alexandre Kalil prevê avaliar a capacidade das universidades públicas mineiras antes de contratar serviços externos de formação e material didático. O de Flávio Roscoe estrutura o diagnóstico e a formação continuada em torno da Fundação da Cide e da Academia Cide.
Como está a disputa
Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostra o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança do cenário estimulado de primeiro turno, com 32% das intenções de voto.
Os ex-prefeitos de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) aparecem empatados na segunda colocação, ambos com 12%.
Em seguida vêm Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD) e Gabriel Azevedo (MDB), com 4% cada. As demais candidaturas somam 2% ou menos. Brancos, nulos e nenhum reúnem 14%, e 13% dos entrevistados não souberam responder.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 18 e 20 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-00446/2026.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



