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Conheça a carreira política de Rafael Greca, pré-candidato ao governo do Paraná

Pré-candidato tenta transformar décadas de experiência administrativa em votos nas eleições de 2026

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Rafael Greca já foi prefeito de Curitiba, ministro, deputado federal e busca o primeiro mandato no governo paranaense • Rodrigo Fonseca/CMC

O ex-prefeito de Curitiba e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável Rafael Greca (MDB) é pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. Depois de três mandatos à frente da capital paranaense, Greca tenta chegar pela primeira vez ao Palácio Iguaçu.

Tanto a pré-candidatura ao governo do Paraná quanto ao Senado, com Álvaro Dias (MDB), foi oficializada pelo partido. Antes, Greca era filiado ao Partido Social Democrático (PSD), o mesmo do atual governador Ratinho Júnior. Mas trocou de legenda para viabilizar a disputa. 

A decisão, segundo o pré-candidato, foi justificada com a experiência acumulada. "De todos os pré-candidatos postos, o único que pode ser considerado hábil para governar 399 cidades sou eu, porque o único que já foi prefeito fui eu."

Natural de Curitiba, Greca é formado em Engenharia Civil pela UFPR, com especialização em Urbanismo, e também em Economia pela então Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Entrou na política ainda estudante, a convite do prefeito Jaime Lerner, para trabalhar na Casa Romário Martins, embrião da Fundação Cultural de Curitiba.

Foi vereador de Curitiba pelo Partido Democrático Social (PDS) entre 1983 e 1987. Migrou para o  Partido Democrático Trabalhista (PDT), partido pelo qual foi deputado estadual por duas legislaturas e, em 1993, venceu sua primeira eleição para prefeito de Curitiba, já no primeiro turno. Como deputado federal atuou entre 1997 e 1998, e ocupou o Ministério do Esporte e Turismo no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1999 e 2000.

Greca deixou o cargo após uma investigação sobre a "máfia dos bingos", da qual seria depois isentado de qualquer participação pela Justiça Federal, e poucos dias depois do fiasco da réplica da nau Capitânia, projeto iniciado ainda em sua gestão municipal anterior.

Migrou para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sob a liderança de Roberto Requião, antigo adversário, e passou por um longo período de derrotas nas urnas. Não conseguiu se reeleger deputado estadual em 2006, tentou de novo sem sucesso em 2010, ficou em quarto lugar na corrida à Prefeitura de Curitiba em 2012 e não conseguiu vaga na Câmara em 2014.

Mas, mesmo fora das urnas, se manteve em cargos públicos. Após a derrota de 2006, Requião, então governador, o nomeou para o comando da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).

Voltou à Prefeitura de Curitiba em 2016, vinte anos depois do primeiro mandato, surfando o discurso da "volta para o futuro" em meio ao desgaste geral da classe política. Foi reeleito em 2020, com quase 60% dos votos válidos e foi o único político a governar a capital paranaense por três mandatos eletivos. 

Encerrado o mandato em 2024, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável no governo Ratinho Júnior (PSD), cargo que deixou agora para a pré-candidatura ao Palácio Iguaçu.

O que defende Greca ao governo paranaense

As propostas de Greca para o Paraná estão ligadas à ampliação da infraestrutura e ao fortalecimento da capacidade logística do estado.

O pré-candidato costuma destacar o papel estratégico das cooperativas agroindustriais, que considera um dos pilares do desenvolvimento paranaense. Para ele, o crescimento econômico do estado passa pela ampliação das cadeias produtivas ligadas ao agronegócio, agregando valor aos produtos produzidos no campo e estimulando a industrialização regional. 

Outra prioridade é a expansão da estrutura portuária. Greca defende investimentos nos portos de Paranaguá e de Pontal do Paraná, além de melhorias na capacidade logística para escoamento da produção agrícola e industrial. A infraestrutura portuária seria decisiva para sustentar o crescimento econômico do estado nas próximas décadas.

Há também projetos voltados ao transporte ferroviário, como a criação de um novo contorno ferroviário para Curitiba, retirando parte do tráfego de cargas da área urbana da capital, além da ampliação da malha ferroviária estadual. 

Na área ambiental, Greca costuma afirmar que o Paraná pode se tornar uma referência internacional em sustentabilidade. Destacou o Cadastro Ambiental Rural como ferramenta para ampliar a cobertura de Mata Atlântica no estado, que hoje está em 37% do território, com potencial, segundo ele, de chegar a 40% com a regularização das propriedades pendentes. O pré-candidato ao Governo defende isso como diferencial competitivo do agronegócio paranaense no mercado internacional.

A disputa pelo Palácio Iguaçu

A candidatura de Rafael Greca ocorre em um cenário marcado pela influência política do governador Ratinho Junior (PSD), que deixa o cargo com altos índices de aprovação e tenta transferir seu capital político para um sucessor.

Mesmo diante desse cenário, Greca afirma que manterá a pré-candidatura até as convenções partidárias. O ex-prefeito tem demonstrado confiança na própria trajetória política e acredita que o eleitorado ainda não definiu seus votos para a sucessão estadual. 

Em suas declarações, costuma relativizar pesquisas realizadas antes do período oficial de campanha e afirma que a escolha dos eleitores será construída ao longo do debate eleitoral.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.