Conheça a carreira política de Juliana Brizola, pré-candidata ao governo do RS
Pré-candidata unifica o campo progressista na disputa pelo Palácio Piratini em 2026

A deputada estadual Juliana Brizola (PDT) foi escolhida para liderar uma frente formada por partidos do campo progressista na disputa ao governo do Rio Grande do Sul. Nas eleições de 2026, a neta do ex-governador Leonel Brizola tentará o cargo para chefiar o Palácio Piratini após quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa e uma candidatura à Prefeitura de Porto Alegre em 2024.
A candidatura foi construída a partir de uma ampla articulação entre partidos de centro-esquerda e esquerda. Além do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a aliança reúne Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Verde (PV) e a Rede Sustentabilidade (Rede).
A definição ocorreu após negociações que levaram o ex-deputado Edgar Preto (PT) a abrir mão da pré-candidatura ao governo para compor a chapa como candidato a vice-governador. Brizola considera que o acordo representa um momento histórico para a política gaúcha, já que, segundo ela, é a primeira vez que esse conjunto de partidos consegue chegar unido ao primeiro turno de uma eleição estadual.
A pré-candidata declara que a construção da aliança exigiu maturidade política e responsabilidade diante do cenário nacional e que o momento exige a defesa das instituições democráticas acima das diferenças partidárias.
Ao falar de sua trajetória política, Juliana Brizola afirma que a construiu inspirada nos princípios defendidos pelo avô, uma das principais lideranças da história do trabalhismo brasileiro, especialmente nas áreas da educação pública, da democracia e da justiça social. Recentemente, lançou o livro “Leonel Brizola por ele mesmo”, baseado em uma entrevista inédita concedida pelo ex-governador poucos anos antes de sua morte.

Nascida em Porto Alegre, a pré-candidata é formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Entrou para a política em 2004, quando foi eleita vereadora da capital gaúcha. Em 2010, Juliana Brizola conquistou seu primeiro mandato como deputada estadual, sendo reeleita nas três eleições seguintes.
Concentrou sua atuação na Assembleia Legislativa em temas ligados à educação, aos direitos das mulheres, à infância, à juventude e à assistência social. A pré-candidata também presidiu a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia e participou de debates sobre financiamento da educação pública, valorização dos professores e fortalecimento das políticas sociais.
Nas eleições de 2024, Brizola disputou a Prefeitura de Porto Alegre. Embora tenha terminado a eleição na terceira colocação, ela avalia que a campanha consolidou um espaço político voltado ao diálogo entre diferentes correntes e fortaleceu seu nome para a disputa estadual. Segundo a pré-candidata, a principal lição daquele processo foi a necessidade de colocar os problemas da população acima das disputas ideológicas.
O que defende Brizola para o governo gaúcho
Um governo baseado no diálogo e na busca de soluções práticas para os principais problemas do estado é a meta para um possível mandato de Brizola. A pré-candidata afirma ainda que saúde, educação, infraestrutura e apoio à agricultura devem ocupar posição central em seu eventual governo.
Também defende a valorização da educação pública e dos professores. Na avaliação de Brizola, o Rio Grande do Sul precisa recuperar investimentos na carreira do magistério e melhorar os indicadores educacionais, retomando o protagonismo histórico da educação no estado.
Na saúde, pretende ampliar a eficiência da gestão para reduzir filas de consultas e exames especializados. Embora faça críticas ao governo estadual em algumas áreas, a pré-candidata ao Governo do Rio Grande do Sul reconhece iniciativas que considera positivas, como o programa Assistir, defendendo seu aperfeiçoamento em diálogo com prefeitos e gestores municipais.
Brizola também afirma ser contrária à privatização de serviços considerados essenciais. Setores como abastecimento de água e energia elétrica devem, em sua visão, permanecer sob controle público para garantir investimentos e atendimento à população, sobretudo em situações de crise climática.
A campanha também tem como defesa a democracia e as instituições. A pré-candidata sustenta que o Rio Grande do Sul não pode retroceder em direitos democráticos e afirma que pretende construir pontes com diferentes setores políticos sempre que houver convergência em temas de interesse da população.
Embora faça oposição ao governo estadual, afirma reconhecer políticas públicas bem avaliadas da gestão de Eduardo Leite (PSD) e defende que um eventual governo seu preserve programas que apresentem resultados positivos. Brizola já confirmou que pretende contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha, embora ressalte que sua candidatura foi construída a partir de uma aliança entre diferentes partidos e não apenas em torno da eleição presidencial.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



