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Conheça a carreira política de Requião Filho, pré-candidato ao governo do Paraná

Requião Filho (PDT) é deputado estadual em terceiro mandato e herdeiro político de uma das famílias mais influentes do Paraná

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Requião Filho
Pré-candidato tenta levar ao governo estadual uma agenda baseada na defesa dos serviços públicos, do interior e das pequenas empresas • Eduardo Matysiak/Alep

O deputado estadual Requião Filho (PDT) é pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. Em terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, ele tenta transformar em candidatura competitiva um capital político construído ao longo de mais de uma década de atuação parlamentar e sob a influência de um dos sobrenomes mais conhecidos da política paranaense.

Filho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, que governou o Paraná por três mandatos, Requião Filho busca se apresentar como uma alternativa ao grupo político atualmente no poder. A decisão de disputar o Palácio Iguaçu, de acordo com o pré-candidato, surgiu da percepção de que o debate eleitoral estava excessivamente concentrado em alianças políticas e nomes de candidatos, sem discutir os principais problemas enfrentados pela população.

Formado em Direito, Requião ingressou na política eleitoral em 2014, quando foi eleito deputado estadual pela primeira vez, com 50.167 votos. Foi reeleito em 2018, como quarto mais votado da legislatura, e novamente em 2022, agora com mais de 85,6 mil votos. No mandato atual, assumiu a liderança da bancada de oposição na Assembleia, além de integrar a Comissão de Constituição e Justiça e presidir a Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais. 

Construiu reputação ligada ao combate à corrupção e à fiscalização do Executivo estadual, com a apresentação de CPIs e denúncias de irregularidades. 

Requião esteve no Partido Trabalhista (PT) pelo qual foi eleito em 2022, mas obteve autorização da Justiça Eleitoral para se desfiliar sem perder o mandato. Em maio de 2025, confirmou a filiação ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), movimento formalizado em julho do mesmo ano, junto com o pai. Sobre a saída do PT, disse que "Infelizmente a preocupação [no PT] é eleger deputados federais e fazer a reeleição do Lula. Nós ficamos mais leves entrando no PDT."

Requião Filho e seu pai ex-senador Roberto Requião • Divulgação/Assessoria Requião Filho
Requião Filho e seu pai ex-senador Roberto Requião • Divulgação/Assessoria Requião Filho

A mudança reorganizou o tabuleiro da esquerda paranaense. Pesquisas do Instituto Neokemp mostraram Requião Filho variando entre 10,1% e 14,1% nas intenções de voto, com possibilidade de chegar ao segundo turno. O desempenho é superior ao do candidato petista, que não passava de 5,1%. 

O que defende Requião Filho para o governo paranaense 

O sobrenome é uma espécie de bandeira para o pré-candidato. "Você pensa em Requião, você lembra do leite das crianças, do Trator Solidário, das tarifas de água e luz, que eram as mais baratas do Brasil”, afirma Requião Filho. As iniciativas, para ele, simbolizam um período em que o Estado atuava prioritariamente em favor da população e não de grandes grupos econômicos.

A crítica na segurança pública é na falta de efetivo policial e defende investimentos em contratação, formação e valorização dos agentes. Também aponta o aumento dos índices de violência em algumas regiões do estado como reflexo da ausência de políticas estruturadas para o setor.

Na educação, argumenta que o foco excessivo em indicadores e metas administrativas prejudica a qualidade do ensino. O pré-candidato defende maior valorização dos professores, ampliação dos concursos públicos e investimentos na formação dos profissionais da rede estadual.

Outra bandeira recorrente é a defesa do interior paranaense. Requião Filho afirma que muitas cidades perderam capacidade de reter jovens, empregos e investimentos, obrigando moradores a migrar para grandes centros em busca de oportunidades. O pré-candidato ao governo do Paraná propõe ampliar a interiorização do desenvolvimento econômico, fortalecer universidades estaduais e estimular a instalação de novas indústrias fora da Região Metropolitana de Curitiba.

No agronegócio, defendeu a retomada do programa Trator Solidário, crédito facilitado, energia mais barata para irrigação e a criação de um novo seguro safra estadual. Para a infraestrutura, defendeu grande investimento em ferrovias, projeto que estima em R$ 10 a 20 bilhões, com financiamento público, argumentando que a iniciativa privada não assume esse tipo de risco de longo prazo.

O pré-candidato também é crítico ao atual modelo de concessões rodoviárias e da privatização de empresas públicas. Costuma defender maior controle estatal sobre serviços considerados estratégicos e questiona os resultados obtidos após mudanças recentes em setores.

É o caso da Companhia Paranaense de Energia (Copel), privatizada em 2023, "Sugamos a Copel até onde dava. Vendemos ela a preço de banana. Agora estamos tendo que contratar a Copel para ter um serviço que era nosso." Defendeu que o Estado retome o controle da companhia caso ela entre em colapso financeiro.

Sobre a Lei do Pedágio, acusou conflito de interesse na concepção do modelo atual, que possui um contrato desenhado ainda no governo Bolsonaro por aliados do próprio governador e cobrou fiscalização mais rígida sobre as concessionárias.

Disputa pelo Palácio Iguaçu nas eleições de 2026 

A pré-candidatura de Requião Filho, nas pesquisas divulgadas até o momento, o colocam entre os principais nomes da oposição, aparecendo atrás do grupo apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), mas consolidado entre os concorrentes mais competitivos para a disputa estadual. 

Segundo o próprio pré-candidato, a presença constante na segunda colocação dos levantamentos reforçou a decisão de manter a candidatura e ampliar o debate sobre propostas para o Paraná.

Ao mesmo tempo, ele enfrenta uma rejeição significativa entre parte do eleitorado conservador, fenômeno que atribui à polarização política nacional. Para superá-la, aposta na apresentação de propostas concretas e na associação com políticas implementadas durante os governos de Roberto Requião.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

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