Caiado vê Brasil em ‘guerra’ e critica câmeras corporais em policiais
Candidato à Presidência da República demonstrou ceticismo em relação a estatísticas positivas sobre implementação de câmeras nos uniformes de forças de segurança

Durante entrevista à Globonews realizada nesta sexta-feira (7), Ronaldo Caiado (PSD) defendeu que o Brasil vive um contexto de guerra contra o crime organizado e precisa de uma política firme de segurança pública.
“Eu infelizmente não cheguei na Suíça. Eu quero chegar lá, mas eu tenho que entender que estou num país que está em estado de guerra. Nós temos que entender que você não sobe a Favela da Maré, o Morro do Borel, e que os cidadãos que estão 100% sequestrados por uma autoridade do narcotráfico,” afirmou.
Nesse contexto, o ex-governador de Goiás se mostrou contrário ao uso de câmeras corporais por políciais. Segundo ele, o dispositivo tira liberdade da classe e faz com que seus membros prefiram se “resguardar”.
Mesmo ao ser informado que, no estado de São Paulo, a partir da adoção desses dispositivos, as mortes de policiais caíram 54% e houve aumento de 78% nos registros de ocorrências relacionadas a porte de droga e armas, Caiado manteve sua posição sobre o tema.
“Você sai desse dado e vai para a vida como ela é. Esse dado reflete a realidade? Você anda lá (em São Paulo) com seu laptop? Isso não reproduz a realidade. A pessoa pode escrever o que quiser”, disse.
O médico de 76 anos alegou também que vê o resgate da segurança pública brasileira como pilar para o avanço em outras áreas. De acordo com o candidato, sem segurança é mais difícil promover crescimento econômico e melhorias na educação.
Quem é Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD?
Aos 76 anos, Ronaldo Caiado é um dos nomes mais experientes da direita brasileira, conhecido por defender os interesses dos proprietários rurais e por um longo histórico de oposição ao PT no Congresso Nacional.
Médico especializado em ortopedia, ele acumula cinco mandatos como deputado federal por Goiás, um como senador e dois como governador do mesmo estado.
Natural de Anápolis (GO), o político ganhou notoriedade na década de 1980 como presidente da União Democrática Ruralista, no contexto das discussões que mais tarde resultaram na Constituição Federal de 1988.
No ano seguinte à promulgação da Carta Magna, Caiado chegou a disputar a Presidência da República, mas recebeu apenas 0,72% dos votos. Após 37 anos, ele retorna ao pleito buscando se consolidar como terceira via em relação às duas figuras que lideram as principais pesquisas: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Com Gilberto Kassab (PSD) como vice de chapa, o médico tem a segurança pública como principal pauta da sua candidatura. Ele defende, por exemplo, a equiparação das facções criminosas brasileiras a organizações terroristas e a redução da maioridade penal para crimes específicos.
Caiado também é crítico do governo Lula no que diz respeito à política fiscal. O plano de gestão do goiano visa à estabilização da dívida pública, revendo benefícios tributários, mas mantendo a capacidade de investimento do Estado.
Jornalista formado pela UFMG e com MBA em Marketing pela PUCRS. Tem passagens por Esportudo, GRV Media e Grupo Globo, com coberturas relacionadas a esportes eletrônicos, futebol, MMA, basquete e atualidades.



