Lula diz que Brasil não subestima facções: ‘Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas’
Em discurso na ONU, presidente brasileiro mandou recados aos Estados Unidos e afirmou que lei é mais dura para facções do que terroristas

Em discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não está subestimando as organizações criminosas. Em uma referência às críticas dos Estados Unidos e a opositores, que pedem a classificação das facções como terroristas, o petista afirmou que as leis nacionais impõem penas maiores do que as previstas para o terrorismo.
Lula defendeu uma cooperação internacional para asfixiar as organizações criminosas, controlando o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime, mas voltou a negar a interferência estrangeira no combate ao crime.
“As pessoas estão cansadas da violência. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, disse.
Segundo o presidente brasileiro, o objetivo é combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. Lula ainda afirmou que as organizações criminosas se aproveitavam da falta de coordenação dos estados brasileiros que “atuavam cada um à sua maneira”.
“Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei”, declarou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



