Terceira via dá sinais de esvaziamento na sucessão presidencial
A 12 dias do primeiro turno, Augusto Cury, que chegou a alcançar 10% das intenções de voto, perde fôlego e disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro está mais apertada

A 12 dias do primeiro turno da sucessão presidencial, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão em situação de empate técnico, com cada voto sendo disputado. As candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e, mais recentemente, do escritor Augusto Cury (Avante), que se colocaram como alternativa à polarização, dão sinais de esvaziamento. Augusto Cury (Avante), que alcançou o melhor desempenho entre a última semana de agosto e a primeira semana de setembro, com 10% das intenções de voto tem agora 6% segundo a Quaest divulgada nesta segunda, 21. Cury está numericamente à frente, mas em patamar semelhante ao de Ronaldo Caiado, com 4%. Renan Santos tem 3%. Romeu Zema segue com 1%. No primeiro turno Lula tem 37% e Flávio 33%. No segundo turno, Flávio está um ponto à frente de Lula, um empate técnico após uma trajetória de linhas de crescimento e queda das duas candidaturas ao longo ano.
São hoje, no Brasil, 158,8 milhões de eleitores, 17% a mais do que em 2010. Nesse período, a queda do número de eleitores jovens foi acompanhada pelo aumento dos eleitores de 70 anos ou mais, que representam hoje mais de 17 milhões, cerca de 11% do eleitorado. Em uma eleição tão apertada como a sucessão presidencial, cada voto conta: a abstenção passa a ser também foco das campanhas.
Em 1989, primeira eleição direta para presidente após o golpe de 1964, 88,07% dos eleitores brasileiros foram votar. A partir da experiência do impeachment de Fernando Collor de Mello ao pleito de 1994, registrou-se queda na participação para 75,16%. Nas três eleições gerais que se seguiram a participação política eleitoral apresentou crescimento no país: em 1998, 78,51%; em 2002, 82,26%; e em 2006, 83,25% de eleitores comparecendo para a votação. No pleito de 2010, o comparecimento dos eleitores iniciou um ciclo de declínio, com 81,88% de participação; em 2014 o comparecimento foi de 80,61%; em 2018, 79,67% e em 2022, 79,07%. Nas eleições municipais de 2024, o comparecimento médio foi de 78,32%, uma participação que só não foi inferior àquele registrada em 2020, durante a pandemia, de 76,85%. A abstenção cresce principalmente entre eleitores a partir de 70 anos, em que o voto não é obrigatório. Até por isso, as campanhas iniciam chamados para estimular essa participação.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


