Caiado culpa Lula por cancelamento de debate da Globo: 'Fator determinante'
O candidato também criticou as decisões judiciais do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal que beneficiaram Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo)

O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que o cancelamento do debate que aconteceria nesta quinta-feira (1º), promovido pela TV Globo, é um “atentado à democracia” e atribuiu parte da culpa ao presidente Lula (PT), o primeiro a cancelar a participação.
Faltando poucas horas para o início do debate, que aconteceria no Rio de Janeiro, a emissora anunciou que iria cancelar o programa. No texto publicado, a Globo afirma que recebeu duas intimações judiciais relacionadas ao programa.
- A primeira foi assinada pela ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, e atende a um pedido da coligação de Lula. A decisão proíbe que a emissora exiba o púlpito vazio, mesmo se o candidato estiver ausente. A magistrada entendeu que, mesmo se o petista optar por não ir, não pode haver prejuízo para sua candidatura.
- A segunda intimação diz respeito a uma decisão assinada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade sobre a participação de Renan Santos (Missão) no debate.
As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral.
Devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
A Globo, atendendo a essa regra, convidou apenas Lula, Flávio, Caiado e Cury.
Na última terça-feira, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou o entendimento da Corte sobre a contagem de parlamentares para fins de debate, o que permitiu que Romeu Zema (Novo) fosse incluído.
Após o anúncio do cancelamento, em coletiva de imprensa, Caiado criticou o que chamou de “ditadura à toga” e afirmou que as decisões judiciais podem interferir nas eleições. “Isso é muito grave. Isto aí pode provocar consequências seríssimas junto à reação da população. Como uma pessoa acha que, com uma canetada, pode mudar um processo eleitoral? Por quê?”, questionou.
O ex-governador também afirmou que Lula “provocou tudo isso” e acredita que o atual presidente foi “o fator determinante de tudo isso”.
O petista foi o primeiro a recusar o convite feito pela emissora. Lula marcou uma outra entrevista para o mesmo horário em que o debate aconteceria. Em vez de ir para o Rio de Janeiro, o candidato à reeleição ficou em Brasília, onde concede entrevista ao vivo ao Flow Podcast.
Quando questionado sobre a ausência, Lula criticou o modelo de perguntas e respostas e afirmou que já estava “decidido”.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



