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Ronaldo Caiado terá candidatura à presidência oficializada neste domingo

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD, oficializa sua candidatura à Presidência da República, a segunda de chegar ao Palácio do Planalto após o pleito de 1989

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Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência pelo PSD • Hellenn Reis / Assembleia Legislativa de Goiás.

Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) terá sua candidatura à Presidência da República oficializada neste domingo (26) em convenção partidária. Com uma extensa carreira política, ele busca consolidar seu nome para as eleições de 2026, após passagens por diversas legendas e momentos-chave na política nacional.

Nascido em 1949 no município de Anápolis, em Goiás, Ronaldo Ramos Caiado é formado em medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia, que hoje é parte da UFRJ (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), com especialização em ortopedia. O político é casado com a pré-candidata ao Senado por Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil), e tem quatro filhos.

O início da vida pública de Ronaldo Caiado se deu com uma candidatura à Presidência da República em 1989, pelo antigo PSD (Partido Social Democrático). Naquelas eleições, o político ficou em décimo lugar e, durante o segundo turno, apoiou o ganhador do pleito, Fernando Collor.

A campanha de 1989 ficou marcada por embates entre Caiado e o também candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um debate, o petista afirmou que só faria perguntas a Caiado quando ele alcançasse 1,5% das intenções de voto nas pesquisas.

Em 1990, Caiado foi eleito deputado federal por Goiás, sendo o parlamentar mais votado de seu estado com mais de 98 mil votos. Após desentendimentos com seu partido (PSD), ele se candidatou pelo PFL (Partido da Frente Liberal).

O político retornou à Câmara dos Deputados em 1998 pelo PFL, partido do qual fez parte durante três mandatos como deputado. Em 2010, ele se elegeu deputado federal pelo DEM (Democratas), novo nome adotado pelo PFL.

Durante esse período, tornou-se uma das principais referências da bancada ruralista e um opositor frequente dos governos de esquerda.

Pelo novo partido, Caiado foi eleito ao Senado Federal por Goiás em 2014. Em seu mandato, foi líder do Democratas na Casa e participou da articulação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Nas eleições de 2018, Ronaldo Caiado candidatou-se ao governo do estado de Goiás e foi eleito no primeiro turno com mais de 1,7 milhão de votos.

Como governador, Caiado nomeou pelo menos 22 parentes para importantes funções públicas em Goiás, sobretudo tios e primos. Alguns exemplos são o caso de Ênio Caiado, colocado na presidência da Goinfra (Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes), e Ubirajara Ramos Caiado Neto, que se tornou supervisor da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Nas eleições de outubro de 2022, Ronaldo Caiado candidatou-se à reeleição ao lado do candidato a vice, Daniel Vilela, do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que fora seu adversário nas eleições de 2018.

O pré-candidato se posicionou contra a Reforma Tributária, de abril de 2023. Ele começou uma série de visitas a Brasília, inclusive na base congressista do União Brasil, partido surgido da fusão de Democratas e PSL, para impedir a lei que considerou "afrontosa". Com a aprovação do texto, voltou a criticá-la.

No início de 2025, Caiado teve sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto confirmada pelo União Brasil. Ao longo daquele ano, o partido estudava uma junção ao PP (Progressistas), que rejeitava o nome de Caiado. Após meses de tratativas, o pré-candidato optou por sair da legenda e retornou ao PSD, em movimento que incluiu nomes como Eduardo Leite e Ratinho Jr..

Após sua filiação, a sigla teve de decidir entre Caiado, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Segundo noticiou a CNN Brasil, a escolha do partido ponderou o resultado em pesquisas, perfil e eleição em Goiás.

Caiado passou a utilizar a segurança pública como principal eixo de sua projeção nacional. O então governador tornou-se um dos principais críticos da PEC da Segurança Pública apresentada pelo governo federal e participou das articulações em torno do chamado PL Antifacção.

Entre as propostas defendidas por ele, está a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas. O tema ganhou espaço no debate político após discussões sobre o combate ao crime organizado.

A estratégia adotada por Caiado busca ampliar sua presença nacional em uma pauta tradicionalmente valorizada pelo eleitorado de direita.

Caiado passou a adotar um discurso mais institucional e moderado, defendendo a autonomia dos estados, o respeito às instituições e a pacificação política. Após os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, criticou publicamente os atos e reafirmou seu compromisso com o estado democrático de Direito.

Com o avanço do debate sobre as eleições presidenciais de 2026, Caiado tem buscado se reaproximar do eleitorado conservador alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em falas públicas e agendas estratégicas de 2025, ele passou a adotar uma retórica mais firme em temas como segurança pública, combate à ideologia de gênero e defesa da propriedade privada.

Apesar de manter uma identidade política distinta da adotada por Bolsonaro, Caiado tem sinalizado que deseja atrair a base da direita tradicional e cristã, apresentando-se como uma alternativa estável e viável à direita bolsonarista.

Nos últimos meses, Caiado adotou um tom mais duro em relação ao senador e candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um dos episódios ocorreu por meio de comentário irônico após o parlamentar fazer uma declaração sobre as urnas eletrônicas brasileiras durante um encontro com embaixadores.

Nas redes sociais, o ex-governador de Goiás disse: "42 embaixadores numa sala: Dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!".

A trajetória política de Caiado também está ligada à história de sua família em Goiás. Ele é neto de Antônio Ramos Caiado, conhecido como Totó Caiado, que foi deputado federal, senador e interventor no estado durante a Primeira República. Também é primo de Leonino Di Ramos Caiado, ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia.

Os laços familiares de Caiado na política incluem ainda Emival Ramos Caiado, seu tio, que exerceu mandatos de deputado federal e senador; seu trisavô, Antônio José Caiado, que foi presidente da antiga Província de Goiás no fim do século XIX; Brasil Ramos Caiado, tio-avô, que governou Goiás entre 1925 e 1929.

Em dezembro de 2024, a juíza Maria Umbelina Zorzetti condenou Ronaldo Caiado e determinou sua inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político durante as eleições municipais de 2024.

A denúncia foi realizada pela coligação derrotada no pleito da capital goiana em 2024, do político Fred Rodrigues (PL). Segundo a decisão proferida pela juíza, Caiado usou a sede de seu governo, o Palácio das Esmeraldas, para realizar eventos de campanha para seu candidato em Goiânia, o prefeito eleito Sandro Mabel.

A magistrada também pediu a cassação de Mabel e da vice-prefeita eleita, Coronel Cláudia, que teriam sido beneficiados pelos episódios. Os eventos em questão tratam-se de jantares com lideranças políticas que ocorreram entre sete e nove de outubro, logo após o primeiro turno do pleito.

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, em abril de 2025, decidiu, por unanimidade, derrubar a inelegibilidade de Caiado, Mabel e da Coronel Cláudia.

Após a reversão do processo contra o governador goiano, o prefeito e a vice-prefeita goianienses, Fred Rodrigues afirmou que recorreria ao recurso de defesa do processo, levando a denúncia ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Porém, alguns dias depois, o partido voltou atrás e decidiu por não dar sequência à ação, com o objetivo de "unir forças por uma só direita".

 

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