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Desembargador do CNJ alvo de operação diz que é 'natural' a fiscalização no gabinete

Ele esclarece que foi feita uma correição extraordinária, procedimento usado pelo CNJ para fiscalizar e auditar a atuação de órgãos do Judiciário

Por, Brasília
CNJ, o Conselho Nacional de Justiça
CNJ, o Conselho Nacional de Justiça • Divulgação

O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), afirmou que considera “natural e regular” a fiscalização realizada pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em seu gabinete, nesta quinta-feira (24).

O magistrado é citado em mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, como integrante da chamada “Turma do KN”. Mesmo com as suspeitas, Ramos não foi afastado do cargo e continua com acesso aos sistemas do tribunal.

Em nota, Ramos explicou que foi alvo de uma correição extraordinária, procedimento usado pelo CNJ para fiscalizar e auditar a atuação de órgãos do Judiciário. Segundo ele, a medida busca reunir informações sobre processos relacionados ao setor sucroalcooleiro.

“O Desembargador Newton Ramos esclarece que a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça realizou uma correição extraordinária em seu gabinete com o objetivo de levantar informações em processos que envolvem o setor sucroalcooleiro. O magistrado ressalta que permanece no pleno exercício de sua jurisdição, atuando e julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade”, afirmou.

A ação foi determinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e contou com apoio da Polícia Federal. Durante a diligência, o conteúdo do disco rígido do computador utilizado pelo desembargador foi copiado para análise.

A fiscalização é um desdobramento de uma apuração da Corregedoria do CNJ sobre processos sob responsabilidade de Ramos envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. Precatórios são dívidas do poder público reconhecidas definitivamente pela Justiça e que precisam ser pagas pela União, Estados ou municípios.

"Turma" ligada ao ministro Kássio Marques Nunes

O nome de Newton Ramos apareceu nas investigações sobre o Banco Master depois que a PF encontrou no celular de Vorcaro mensagens que mencionavam o desembargador e a mulher dele, a advogada Camilla Ramos, como integrantes da chamada “Turma do KN”. Segundo as apurações, “KN” seria uma referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.

As mensagens também revelaram um contrato firmado com o escritório de Camilla para atuar em 12 ações relacionadas ao setor sucroalcooleiro nas quais o Banco Master tinha interesse. O acordo previa honorários equivalentes a 5% dos valores obtidos em caso de êxito. O pagamento poderia chegar a R$ 427 milhões caso os processos resultassem na liberação de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em precatórios. Não há confirmação de que os R$ 427 milhões tenham sido pagos.

Conversas analisadas pela PF também mencionam pedidos atribuídos a Nunes Marques que teriam sido intermediados por Newton Ramos junto a pessoas ligadas a Vorcaro, incluindo hospedagens e acessos a eventos.

Newton Ramos já havia afirmado que mantinha uma relação pessoal com Vorcaro e que nunca julgou uma causa de interesse do Banco Master. Nesta quinta-feira, após a fiscalização em seu gabinete, o desembargador voltou a dizer que está à disposição do CNJ.

“O Desembargador confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ, o qual considera natural e regular. Por fim, reafirma que está à inteira disposição do órgão para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar eventuais dúvidas sobre os casos em análise”, afirmou em nota.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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