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Deputado do PT de Minas reafirma manifesto de 2021 e diz que Israel promove 'apartheid' na Palestina

Padre João assinou há dois anos documento que diz que 'resistência não é terrorismo' e manteve posicionamento mesmo após ataques recentes

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Padre João (PT-MG) assinou manifesto "Resistência não é terrorismo" em 2021
Padre João  • Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O deputado federal por Minas Gerais, Padre João (PT), afirma que Israel promove "apartheid e ocupação ilegal" no território na Palestina. O discurso reforça o posicionamento de um manifesto assinado em 2021 por 20 deputados do PT, PSOL, PCdoB e PSB que condenava a atitude do governo britânico de classificar o Hamas como uma organização terrorista. 

Além dos 10 deputados do PT, seis do Psol, três do PCdoB e um do PSB, o documento também recebeu apoio de outras entidades e movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O texto afirma, entre outras coisas, que "resistência não é terrorismo". O deputado Padre João foi o único político mineiro a assinar o manifesto. (Confira o texto completo no fim desta reportagem)


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Dois anos após a assinatura - e depois dos ataques terroristas praticados pelo Hamas desde o último fim de semana - ao ser questionado pela Itatiaia, o deputado mantém o posicionamento. 

"Os israelenses argumentam ser direito divino, mas o direito internacional e as organizações de direitos humanos classificam de outra forma: ocupação ilegal, Apartheid e crimes contra a humanidade", afirmou o deputado.

"A vida está acima de tudo. Nenhum grupo tem o direito de atacar civis. E sempre vamos repudiar qualquer forma de violência que atente contra a vida. Mas também a garantia do reconhecimento do seu estado, dos direitos humanos como acesso à água, moradia, alimentação e saúde são prioridade", afirma.

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Ainda de acordo com o parlamentar, o povo palestino sofre "uma espécie de massacre histórico".

"É um silenciamento e o mundo fecha os olhos para uma série de injustiças e crimes cometidos por Israel. Seremos sempre em defesa do reconhecimento de um estado legitimo que é tirado de cada palestino", completa o parlamentar mineiro. 

Para justificar a assinatura do documento, o deputado afirmou que Israel atacou escolas e hospitais na Palestina, em 2021. 

Vivenciamos nos últimos anos, principalmente em 2021, ano que assinamos a nota, uma sucessão de ataque militares de Israel a escolas, hospitais, corte de água, energia, fechamento de fronteiras e portos. Morreram muitos civis, muitos inocentes

O deputado afirma que segue acreditando e defendendo o direito de cada palestino de viver no estado que lhe pertence. E ressalta ainda que vai continuar repudiando e denunciando qualquer tipo de ataque covarde a civis.

'Tchuchuca do Hamas'

Nesta semana, outro deputado federal por Minas Gerais, Rogério Correia (PT), foi criticado por parlamentares da oposição. Durante um discurso no plenário na Câmara dos Deputados, o parlamentar repudiou os atos terroristas do Hamas, mas também criticou a postura adotada pelo governo Israel, sob o comando de Benjamin Netanyahu.

"Essa opressão que existe lá não é como diz o deputado que me antecedeu, uma bondade e uma benevolência do governo Netanyahu em relação aos palestinos. O que acontece é confinar 2 milhões de palestinos e deixá-los em situação de opressão, atacando, também, crianças. Não estou dizendo de agora, mas de muito tempo, de décadas, ocupando quase 70% daquilo que é a área que tinha na Faixa de Gaza e na Cisjordânia", afirmou.

O deputado foi chamado, por opositores, de "Tchutchuca do Hamas". 

Oficialmente, o governo brasileiro não classifica grupo palestino Hamas como terrorista. Historicamente, o Brasil só chama classifica como terrorista uma organização que for classificada desta forma pela Organização das Nações Unidas (ONU). Este entendimento também é adotado por países como China, Rússia, Turquia e Irã.

Em uma posição diferente da adotada pelo Brasil, países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão, além de outras nações da União Europeia, classificam o Hamas como uma "organização terrorista". 

Em todas as notas divulgadas até aqui, inclusive assinadas pelo presidente Lula, o governo brasileiro cita o  "Hamas", mas em nenhum dos documentos, o grupo é chamado de "terrorista".

Manifesto

O manifesto "Resistência não é terrorismo!" foi divulgado em novembro de 2021 por parlamentares ligados à esquerda. Dentre os nomes que assinaram o documento estão dois ministros do governo Lula: o secretário de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT-SP) e o secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta (PT-SP).

“Resistência não é terrorismo!

Todo apoio ao povo palestino na luta por legítimos direitos. Os parlamentares, entidades e lideranças brasileiras que subscrevem este documento, expressam o seu profundo descontentamento à declaração da secretária do Interior da Inglaterra, Priti Patel, que atribuiu ao Movimento de Resistência Islâmico – Hamas, a designação de ‘organização terrorista’, alegando falsamente que o Movimento palestino seria ‘fundamentalmente e radicalmente antissemita’.

Este posicionamento representa uma extensão da política colonial britânica, em desacordo com a posição da maioria do povo da Inglaterra, que se opõe à ocupação israelense e aos seus crimes. Seu objetivo é claro: atingir a legítima resistência palestina contra a ocupação e o apartheid israelense, numa clara posição tendenciosa em favor de Israel e tornando-se cúmplice das constantes agressões aos palestinos e aos seus direitos legítimos.

O direito à resistência assegurados pelo Direito Internacional e Humanitário, pela Carta das Nações Unidas e por diversas Resoluções da ONU, entre elas as de nº 2.649/1970, 2.787/1971 e 3103/1974, reiterando o direito de todos os povos sob dominação colonial e opressão estrangeira de resistir ao ocupante usurpador e se defender.

A resistência é um legítimo direito dos palestinos contra a ocupação e as reiteradas violações dos direitos humanos, bem como os crimes de guerra. Direito que os palestinos não abrem mão e para o qual, contam com o nosso apoio e solidariedade à sua causa de libertação e pelo seu Estado nacional palestino.

Brasil, 23 de novembro de 2021.”

Deputada Érika Kokai (PT-DF)
Deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS)
Deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
Deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC)
Deputada Professora Rosa Neide (PT-MT)
Deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP)
Deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ)
Deputado Alexandre Padilha (PT-SP)
Deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP)
Deputado David Miranda (PSOL-RJ)
Deputado Enio Verri (PT-PR)
Deputado Gláuber Braga (PSOL-RJ)
Deputado Helder Salomão (PT-ES)
Deputado Ivan Valente (PSOL-SP)
Deputado Nilto Tatto (PT-SP)
Deputado Orlando Silva (PCdoB-SP)
Deputado Padre João (PT-MG)
Deputado Paulão (PT-AL)
Deputado Paulo Pimenta (PT-RS)
Deputado Zeca Dirceu (PT-PR)
Instituto Brasil Palestina – IBRASPAL
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Partido Socialismo e Liberdade – PSOL
Federação Árabe Palestina do Brasil – FEPAL
Aliança Palestina do Maranhão
Aliança Palestina Recife
Amigos de Palestina
Associação de Solidariedade e pela Autodeterminação do Povo Saaraui – ASAARAUI
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz – Cebrapaz
Centro Cultural Manoel Lisboa
Ciranda Comunicação Compartilhada
Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima – CAL
Comitê Brasileiro em Defesa dos Direitos do Povo Palestino
Comitês Islâmicos de Solidariedade – CIS
Espaço cultural e político al Janiah
Frente Nacional de Luta Campo e Cidade – FNL
Fórum Latino Palestino – FLP
Grupo de Estudos Retóricas do Poder e Resistências – GERPOL/UnB
Instituto de Estudos sobre Geopolítica do Oriente Médio – IGEOP
Instituto Estudos e Solidariedade para Palestina Razan al-Najjar
Movimento pela Libertação da Palestina – Ghassan Kanafani
Movimento Policiais Antifascistas do Maranhão
Movimento Popular Socialista – MPS-PSB
Observatório Proletário
Sociedade Palestina de Brasília
Acilino Ribeiro, Advogado
Adilson Araújo, Pres. da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Adriana Maria de Souza, Coordenadora Promotoras Legais Populares -PLP
Ahmed Shehada, Médico e presidente do Instituto Brasil-Palestina
Ana Cláudia Cruz, Psicóloga/psicanalista
Ângela Facundo, Professora Doutora do Departamento de Antropologia/UFRN
Ahmad Alzoubi, jornalista
Antonio Barreto de Souza, Diretor do Cebrapaz
Antonio Carlos Andrade, Psicólogo
Baby Siqueira Abrão, Jornalista e Escritora
Berenice Bento, Professora Doutora do Departamento de Sociologia da UnB
Bruna Brelaz, Estudante, presidenta da União Nacional dos Estudantes – UNE
Camila Tenório Cunha, Professora
Cesar Sanson, Professor Doutor Departamento de Ciências Sociais/UFRN
Dioclécio Luz, Jornalista e Escritor
Divina Lúcia Rezende, Socióloga
Durand Noronha, Bancário aposentado, diretor do Cebrapaz
Eduardo José Santana de Araujo, Professor de história
Edval Nunes Cajá, Sociólogo
Elianildo da Silva Nascimento, Rede Nacional da Diversidade Religiosa e Laicidade
Estenio Ericson Botelho de Azevedo, Professor Doutor Univ. Estadual do Ceará
Flávia Calé, Presidenta da Associação Nacional dos Pós-Graduandos – ANPG
Francisco Miguel Lopes, Ativista por Direitos Humanos
Frej Hanizeh, Jornalista
Gabriel de Souza Fernandes Silva, Tradutor e Ativista
Getúlio Vargas Júnior, Pres. da Conf. Nac. das Associações de Moradores – CONAM
Gillian Nauman Iqbal, Historiadora
Glorinha Silva, Ativista dos Direitos Humanos
Heba Ayyad, Jornalista palestina e poeta
Heitor Claro da Silva, Sociólogo, Mestre em Ciências Sociais e Professor
Hélio Doyle, Jornalista
Heloisa Vieira, Professora aposentada, diretora do Cebrapaz
Inácio Carvalho, Jornalista, Editor do Portal Vermelho
Inayatullah Khan Zaigham Al Mashriqi, Líder anti-imperialista
Ismael César, membro da Executiva Nacional da CUT
Jacques de Novion, Professor Doutor do Nescuba/Ceam
Jamil Abdala Fayad, Pesquisador sênior aposentado da Epagri-SC
Jamil Murad, Médico, ex-Deputado Federal e Presidente do Cebrapaz
Jeanderson de Sousa Mafra, Policial civil
Jerusa Hawass, Muçulmana e ativista negra
João Emiliano Fortaleza de Aquino, Professor Doutor Univ. Estadual do Ceará
José Reinaldo, Jornalista, Secretário-Geral do Cebrapaz
Jussara Cony, Farmacêutica ex-deputada Estadual (PCDOB-RS), Direção Cebrapaz
Khaksar Tehrik, Movimento contra o Imperialismo britânico
Laís Vitória Cunha de Aguiar, Estudante e mídia ativista
Levante Feminista Contra o Feminicídio – DF
Lucas Assis Souza, Professor, Diretor do Ibraspal
Lucia Helena Issa, Jornalista e escritora
Luís Gustavo Guerreiro Moreira, Indigenista, diretor de pesquisa do Cebrapaz
Manoela Gouveia, Advogada, Diretora do Ibraspal
Marcos Antonio Costa, Professor, Cebrapaz/RJ
Maria Antonia Dal Bello, Comitê General Abreu e Lima
Maria José Maninha, Médica e ex-deputada federal
Marianna Ribeiro, Professora do Instituto Federal do Tocantins
Marlon Sergio Perondi Soares, Ativista da causa palestina
Milton Temer, Jornalista e ex-Deputado Federal
Moara Crivelente, Cientista Política, da Direção Executiva Cebrapaz
Mônica Santos, Enfermeira, Cebrapaz/ES
Mohamad el Kadri, presidente da Associação Islâmica SP
Muhammad Nauman Iqbal, Ativista anti-imperialista Nagib Nassar, Professor Emérito da UnB
Otamir de Castro, Professor
Patrícia Soares Barbosa, Professora e história Secretária Geral do IGEOP
Paulo Romão, Sociólogo
Pedro César Batista, Jornalista
Pedro Paulo Gomes Pereira, Professor Doutor da Unifesp
Raul Carrion, Historiador, Ex-Deputado Estadual (PCdoB-RS)
Renatho Costa, Professor Doutor UNIPAMPA
Rita Freire, Editora do Monitor do Oriente Médio
Roberto Miguel, Vigilante, Secretário Geral CUT/DF
Rozana Barosso, Pres. da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
Saulo Pinto, Professor Doutor do Departamento de Economia da UFMA
Sayid Marcos Tenório, Historiador e vice-presidente do Ibraspal
Sergio Abdul Rashid, Professor e ativista
Sergio Benassi, ex-Vereador Campinas-SP, Direção Cebrapaz
Shirley de Souza Rodrigues Kozlowski, Professora e Mestre em Educação
Socorro Gomes, ex-Deputada Federal, presidenta do Conselho Mundial pela Paz
Soraya Misleh, jornalista
Tali Feld Gleiser, Tradutora
Teresinha Braga, Médica, diretora do Cebrapaz
Thiago Ávila, Socioambientalista e youtuber no canal Bem Vivendo
Tiago Morbach, presidente da União da Juventude Socialista – UJS
Vanja Andréa Santos, Presidenta nacional da União Brasileira de Mulheres – UBM
Vinícius Pedreira Barbosa da Silva, Professor e Jornalista
Walter Sorrentino, Médico e ativista internacionalista
Wevergton Brito Lima, Jornalista e vice-presidente do Cebrapaz
Yasser Jamil Fayad, Médico

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.