Defesa de Wagner Pires pede acesso a investigação sobre suposta intervenção de dirigentes na Polícia Civil
Ex-dirigente cita suspeita de que Sérgio Rodrigues atuou para desarquivar processo; advogado fará investigação defensiva

A defesa do ex-presidente do Cruzeiro Wagner Pires ingressou, na tarde desta terça-feira (28), com uma petição em que pede, no âmbito do processo que apura possíveis irregularidades na antiga gestão do clube, que a Corregedoria da Polícia Civil disponibilize uma suposta investigação interna sobre denúncia que apontaria uma relação entre o presidente da associação, Sérgio Santos Rodrigues, e policiais para desarquivar um inquérito.
Na peça, a defesa de Wagner Pires cita reportagens jornalísticas que citam a suposta abertura de inquérito na Corregedoria da Polícia Civil. "Todavia, há informações que o Presidente do Cruzeiro Esporte Clube, Sérgio Santos Rodrigues teria, supostamente, pago quantia a dirigentes da Polícia Civil para que as investigações fossem retomadas e consequentemente houvesse o desarquivamento dos autos, sendo a direção anterior do Cruzeiro Esporte Clube novamente investigada e, como efeito, a presente denúncia ofertada. Em tese, o ato realizado pelo Presidente do clube configura intervenção no trabalho da Polícia Civil logo, as notícias abaixo informam investigação em seu desfavor realizada pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais", mostra trecho da petição, assinada pelo advogado Marcos Aurélio de Souza Santos.
Em contato com a coluna, o advogado afirmou que irá se manifestar sobre a petição "no momento oportuno".
A investigação citada pela defesa, que supostamente teria sido desarquivada após intervenção de Rodrigues, resultou em uma ação do Ministério Público Estadual em 2020. Em novembro daquele ano, a Justiça recebeu a denúncia, tornando Wagner Pires, os ex-dirigentes Itair Machado e Sérgio Nonato, e outras seis pessoas (um ex-assessor de futebol do clube, três empresários, um ex-presidente do Ipatinga Futebol Clube e o pai de um atleta das categorias de base do Cruzeiro) em réus. A ação cita os crimes de lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsidade ideológica e formação de organização criminosa.
No final de 2022, como revelou a coluna no início do mês, a Polícia Civil concluiu um segundo inquérito sem indiciar nenhum dos ex-dirigentes do clube. Essa segunda investigação mirava supostas irregularidades em contratos de jogadores. Os investigadores concluíram que não haviam indícios de crimes e que uma possível má gestão no futebol do Cruzeiro não se configuraria ilegalidade.
Apuração própria
Na peça anexada nesta terça-feira, a defesa de Wagner Pires também informa a Justiça o início de uma investigação defensiva do ex-dirigente. Essa condição, prevista pela OAB, impões que os advogados realizem uma investigação própria sobre os fatos, a partir da realização de novas oitivas com testemunhas, perícias e qualquer outro ato que contribua para a "obtenção de elementos probatórios lícitos necessários na atuação profissional aos seus clientes constituídos".
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
