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Defesa de ex-diretor do Banco Master contesta indiciamento e pede arquivamento à PGR

Advogados afirmam que Luiz Antônio Bull não participou das negociações investigadas na Operação Compliance Zero e pedem análise individual antes de eventual denúncia

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Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, pelo Banco Central
Imagem do Banco Master • Rovena Rosa/Agência Brasil

A defesa do ex-diretor de compliance do Banco Master Luiz Antônio Bull apresentou nesta sexta-feira (6) manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contestando o indiciamento feito pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Os advogados sustentam que Bull não participou das negociações investigadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) e pedem que sua conduta seja analisada de forma individual antes de qualquer decisão sobre eventual denúncia.

O documento foi protocolado dois dias após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, conceder prazo de 15 dias para que a PGR se manifeste sobre o relatório parcial da Polícia Federal, que indiciou o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outras 14 pessoas.

Na manifestação, os advogados afirmam ter analisado os 362 registros de conversas reunidos pela Polícia Federal durante a investigação. Segundo a defesa, o nome de Bull aparece apenas cinco vezes e ele não integrava os grupos de mensagens em que as operações consideradas suspeitas eram discutidas.

Os defensores argumentam que esse levantamento demonstra que o ex-diretor permaneceu alheio às negociações envolvendo a empresa Tirreno, apontada como peça central nas investigações.

Polícia Federal aponta participação em decisões internas

A Polícia Federal, por outro lado, sustenta que Bull participou de etapas relevantes das operações investigadas. Entre os elementos apontados estão a assinatura de contratos de cessão de créditos entre a Tirreno e o Banco Master, documentos encaminhados ao Banco Central e sua participação em um comitê interno responsável por avaliar alertas de prevenção à lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, em julho de 2025 o colegiado decidiu encerrar alertas relacionados à Tirreno e não comunicar as operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apesar de a empresa ser classificada internamente como cliente de alto risco.

A defesa reconhece que Bull integrava o comitê, mas afirma que as decisões foram tomadas com base nas informações técnicas apresentadas aos seus integrantes. Os advogados sustentam ainda que a assinatura de documentos, por si só, não demonstra conhecimento de eventual fraude.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em janeiro, Bull afirmou que assinava alguns documentos confiando nas análises das equipes jurídicas do banco e declarou que acumulava diferentes funções na instituição, que tinha apenas quatro diretores.

Indiciado por suspeita de gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros, Bull pede que a PGR considere sua atuação individualmente antes de decidir se apresentará denúncia ao Supremo Tribunal Federal.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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