Mendonça concede prisão domiciliar a Maurício Camisotti após delação sobre 'farra do INSS'
Empresário, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias, deixará a prisão preventiva e cumprirá medidas cautelares em casa. Defesa afirma que decisão reconhece ausência de risco às investigações

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou, nesta quinta-feira (5), a substituição da prisão preventiva do empresário Maurício Camisotti por prisão domiciliar. Preso desde dezembro de 2025, ele é investigado por suposta participação no esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão ocorre após Camisotti firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. Segundo as investigações, o empresário forneceu informações sobre o funcionamento do esquema, que teria movimentado cerca de R$ 6,5 bilhões ao longo de aproximadamente seis anos.
De acordo com a Polícia Federal, Maurício Camisotti exercia papel estratégico na estrutura financeira da fraude. Os investigadores o apontam como líder empresarial e sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC), uma das entidades sob investigação.
As apurações indicam que o empresário estaria entre os principais beneficiários do esquema, com movimentações financeiras superiores a R$ 1 bilhão.
A investigação sustenta ainda que associações responsáveis pelos descontos em aposentadorias e empresas contratadas para prestar serviços atuavam como parte de uma estrutura destinada à lavagem de dinheiro.
Operação também alcançou outros investigados
Camisotti foi alvo da mesma fase da operação que levou à prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado por suposta participação no esquema de descontos ilegais.
As investigações continuam para identificar a participação de outros envolvidos e o fluxo dos recursos movimentados pelas entidades.
Em nota, os advogados Daniel Bialski e Pierpaolo Bottini, que representam o empresário, afirmaram que a decisão reconhece que a manutenção da prisão preventiva já não se justificava.
Segundo a defesa, Camisotti não apresentou risco às investigações, colaborou com as autoridades e cumprirá todas as medidas cautelares impostas pelo Supremo.
Os advogados também sustentam que a prisão preventiva não pode ser utilizada como antecipação de pena e que o empresário aguardará o desfecho das investigações e de eventual processo judicial em liberdade, sob as condições determinadas pelo STF.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



