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Construção do Estatuto da Igualdade Racial de Minas acelera e ganha força; entenda articulações

Avaliação é que texto pode ser aprovado por deputados estaduais em novembro; fase, agora, é de coleta de sugestões em encontros regionais

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Painel pede Justiça Racial em evento na Assembleia de Minas
Estatuto da Igualdade Racial de Minas pode ficar pronto em novembro deste ano • Luiz Santana/ALMG

Interlocutores envolvidos na construção do Estatuto da Igualdade Racial de Minas Gerais intensificaram, nesta semana, os debates para afinar os detalhes do projeto de lei que vai instituir o arcabouço. A ideia é que, até julho, uma série de encontros regionais aconteçam para a definição de estratégias ligadas a tópicos como a garantia de direitos a jovens negros e o acesso a políticas de habitação. Depois, o projeto que cria o estatuto vai tramitar na Assembleia Legislativa e será votado em dois turnos.

Segundo apurou a Itatiaia, se o calendário de ações for seguido, o Estatuto da Igualdade Racial deve ser aprovado pelos deputados estaduais em novembro, mês da Consciência Negra. As conversas pela criação da lei são lideradas por quatro parlamentares: Ana Paula Siqueira (Rede), Andréia de Jesus, Leninha e Macaé Evaristo — todas do PT. As conversas começaram ainda no ano passado.

Uma das ideias, por exemplo, é a aplicação de medidas que garantam a atenção das especificidades de saúde da população negra.

“É muito importante que a gente tenha esse estatuto para poder garantir equidade e ações afirmativas para a redução da desigualdade”, diz Macaé Evaristo.

Sistema de Promoção da Igualdade e Ouvidoria

O texto-base do projeto do estatuto já foi protocolado na Assembleia. A proposta tem, como um dos eixos, a criação do Sistema Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sisepir), que serviria para garantir a efetivação das medidas previstas no arcabouço.

No Sisepir, estarão representantes do governo do estado, dos municípios e do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir).

Em outra frente, segundo o projeto, a Ouvidoria-Geral do Estado passaria a ter, em sua estrutura, Ouvidoria de Promoção da Igualdade Racial. A autarquia terá, como função, o registro de denúncias de racismo, discriminação racial, intolerância religiosa e conflitos religiosos que envolvam povos de terreiros e comunidades quilombolas.

“O estatuto precisa explicitar a importância das políticas de igualdade racial e expressar as demandas da população negra mineira”, afirmou, durante a audiência de terça-feira, a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes.

Mais seis encontros regionais

Até julho, as forças envolvidas na construção do Estatuto da Igualdade Racial farão mais seis encontros regionais para debater o teor do documento. Veja as datas:

• 21/6/24 – Uberlândia – Regiões do Triângulo e Alto Paranaíba

• 24/6/24 – Juiz de Fora – Zona da Mata

• 28/6/24 – Pouso Alegre – Sul de Minas

• 1º/7/24 – Montes Claros – Regiões Norte e Noroeste

• 5/7/24 – Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri

• 8/7/24 – Coronel Fabriciano – Rio Doce e Vale do Aço

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.