Itatiaia

Cláudio Castro nega interferência em contato com Mendonça sobre Cabral

Ex-governador diz que procurou ministro do STF para esclarecer situação de Sérgio Cabral e afirma que não pediu favorecimento

PorBrasília
André Mendonça, ministro do STF, e Cláudio Castro, ex-governador do Rio. • Antonio Augusto/STF e Marcos Oliveira/Agência Senado.

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) negou ter tentado interferir no julgamento que envolvia o ex-governador Sérgio Cabral ao entrar em contato com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2022.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Castro procurou Mendonça para tratar da situação judicial de Cabral. Na ocasião, o ex-governador enviou ao ministro documentos relacionados a pedidos de habeas corpus e a um alvará de soltura.

Segundo Castro, o objetivo era esclarecer se ainda havia alguma ordem judicial que impedisse a libertação de Cabral. Ele afirma que não pediu ao ministro qualquer interferência no processo.

Contato ocorreu antes de voto pela soltura

A conversa ocorreu em novembro de 2022, cerca de 17 dias antes de Mendonça votar pela soltura de Sérgio Cabral no STF. O ministro havia pedido vista do processo em outubro daquele ano.

Naquele momento, o Tribunal de Justiça do Rio já havia revogado dois mandados de prisão preventiva contra Cabral. Castro afirma que procurou Mendonça porque havia dificuldade para verificar a existência de outra ordem judicial, relacionada ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

De acordo com o relato do ex-governador, o site do tribunal estava fora do ar. Mendonça teria enviado um link do processo que permitiu confirmar a existência de outra ordem de prisão contra Cabral.

Em dezembro de 2022, Mendonça votou pela libertação do ex-governador. O julgamento terminou com placar de 3 votos a 2 pela soltura, após Cabral permanecer preso por cerca de seis anos.

Mendonça também nega favorecimento

O gabinete de André Mendonça afirmou que o contato com Castro teve caráter institucional e que o ministro não recebeu pedido de favorecimento.

Mendonça também declarou que sua decisão pela soltura de Cabral foi tomada exclusivamente com base nos elementos do processo e em fundamentos jurídicos. O ministro negou ter relação de amizade com Castro.

A defesa de Castro segue a mesma linha e afirma que o ex-governador jamais pediu interferência em processos judiciais. Os advogados também dizem que expressões como “amigo”, usadas nas conversas, eram uma forma comum de tratamento político.

As mensagens vieram à tona no contexto das investigações da Operação Sem Refino, que apura suspeitas envolvendo Castro e outros agentes públicos.

O episódio passou a ser analisado em meio à atual crise envolvendo o STF e às discussões sobre a relação de ministros da Corte com políticos e investigados.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

Belo Horizonte