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Caso Master: PGR ainda avalia delação de Vorcaro após rejeição da PF

Procuradores avaliam anexos entregues pela defesa do ex-dono do Banco Master, enquanto investigação aponta falta de informações inéditas na proposta

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Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, pelo Banco Central
Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, pelo Banco Central • Rovena Rosa/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manteve a análise sobre a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro mesmo após a Polícia Federal rejeitar formalmente o acordo. A informação foi revelada pela CNN Brasil.

Como titular da ação penal, a PGR pode conduzir as negociações de forma independente da PF e decidir pelo avanço das tratativas, ainda que os investigadores tenham descartado a colaboração do empresário. Integrantes do órgão seguem examinando os anexos entregues pela defesa de Vorcaro e, até o momento, não há decisão definitiva sobre aceitar ou rejeitar a proposta.

 

Segundo a CNN, há resistências internas dentro da própria Procuradoria em relação aos termos apresentados pelo ex-banqueiro. A avaliação de parte dos procuradores é de que os relatos entregues até agora trazem poucas informações inéditas e deixam de fora episódios considerados centrais para as investigações.

Caso a PGR decida rejeitar a colaboração, a tendência é que as negociações sejam encerradas, repetindo o caminho adotado pela Polícia Federal. Fontes envolvidas nas conversas, porém, afirmam que as tratativas podem ser retomadas futuramente caso a defesa apresente novos elementos ou provas consideradas relevantes.

Master e Vorcaro

Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras investigadas pela Polícia Federal. Na segunda-feira (18), ele foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, movimento interpretado por pessoas ligadas às investigações como um sinal do desgaste entre a corporação e o empresário.

No início de maio, a defesa entregou uma primeira versão da proposta de colaboração à PF e à PGR. Desde então, investigadores e procuradores analisam o grau de ineditismo das informações, a capacidade de ressarcimento aos cofres públicos e a existência de provas capazes de confirmar os fatos narrados pelo ex-banqueiro.

A avaliação predominante, segundo relatos de fontes próximas às negociações, é de que delegados e integrantes da Procuradoria ainda não estão convencidos da consistência da proposta apresentada pela defesa de Vorcaro.