Câmara de BH avaliará veto total a projeto que prevê cartazes sobre 'entrega legal' de recém-nascidos em unidades de saúde
Texto foi aprovado na Câmara Municipal e vetado totalmente pela Prefeitura de Belo Horizonte; medida levantou discussões sobre o aborto legal entre os vereadores e está novamente na pauta do plenário na próxima terça-feira (3)

O plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte decidirá, na próxima terça-feira (3), pela manutenção ou derrubada do veto da prefeitura a um projeto de lei que prevê a fixação de cartazes sobre a entrega de bebês para adoção legal em unidades de saúde da capital. O texto causou polêmica na Casa por ser considerado uma estratégia de coibir gestantes que podem optar pelo aborto em casos em que a prática é legalizada no Brasil.
O texto em questão foi apresentado na forma do Projeto de Lei (PL) 58/2025 pelo vereador Uner Augusto (PL). A proposta obriga a fixação de cartazes em unidades de saúde públicas e privadas com os seguintes dizeres: “A entrega de filho(a) para adoção não constitui crime. Caso queira fazê-la, ou conheça alguém que queira, procure a Justiça da Infância e da Juventude. A gestante que opta por este caminho recebe acompanhamento psicológico e social. Além de legal, o procedimento é sigiloso (Lei Federal 13.509/2017)”.
Na justificativa, Uner Augusto argumenta que a medida tem como objetivo difundir a opção da entrega legal como uma alternativa para promover os direitos dos nascituros. A bancada progressista da Câmara Municipal avalia que a ideia pode afastar mulheres do exercício do direito ao aborto nos casos previstos em lei, como quando o bebê é anencéfalo, a gravidez representa risco à vida da gestante ou quando a gravidez é oriunda de um estupro.
O projeto em questão foi aprovado em agosto e vetado em setembro. O veto, atualmente, trava a pauta da Câmara Municipal, que deve avaliar a decisão para que outros projetos sejam apreciados no plenário da Casa.
O prefeito Álvaro Damião (União Brasi) vetou totalmente o PL 58/2025 a partir da manifestação da Secretaria Municipal de Saúde. A pasta aponta que a divulgação ostensiva da informação desejada pelo vereador Uner Augusto poderia interferir na “escuta qualificada, no sigilo e na neutralidade da assistência, além de privilegiar uma alternativa em detrimento da abordagem integral dos direitos reprodutivos e assistenciais”.
Para derrubar o veto do prefeito são necessários ao menos 21 votos, maioria simples entre os 41 vereadores da Câmara.
O vereador Uner Augusto é autor de outros projetos sobre o mesmo tema que tramitam na Casa. Um deles, o PL 42/2025, também quer determinar a fixação de cartazes em unidades de saúde para, segundo o parlamentar, promover a “decisão informada e para a promoção da saúde física, psicológica e social das mulheres” acerca dos procedimentos abortivos.
Outro, o PL 74/2025, quer estabelecer a obrigatoriedade da declaração de óbito em caso da morte de fetos em unidades hospitalares de Belo Horizonte.
Ambos os projetos são apoiados pela ala conservadora, maioria na Câmara, e criticados pela bancada progressista sob o argumento de dificultar o acesso aos direitos reprodutivos garantidos pela constituição brasileira.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



