Partido Novo diz ter ganhado 2,2 mil filiados após contestar vitória de Lula
Legenda afirma que recebeu novos integrantes nas 24 horas seguintes à decisão de não reconhecer a reeleição do presidente. Partido também questiona a campanha petista na Justiça Eleitoral e pede a cassação da chapa Lula-Alckmin.

O partido Novo afirma ter recebido 2,2 mil novos filiados em apenas 24 horas após anunciar que não reconhece a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pela própria legenda, que atribui o aumento de adesões à repercussão do posicionamento contrário ao resultado do segundo turno.
Segundo o presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, a decisão de contestar a reeleição do petista provocou uma reação positiva entre pessoas que se identificam com a oposição ao governo. O dirigente afirmou que o Novo foi a única legenda a adotar publicamente essa posição.
A sigla, que lançou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como candidato à Presidência da República, sustenta que não questiona a segurança das urnas eletrônicas nem a vontade dos eleitores. O argumento apresentado é de que os meios utilizados pela campanha de Lula para conquistar a reeleição teriam comprometido a igualdade de condições na disputa.
O partido aponta suposto uso da máquina pública e de recursos estatais em benefício dos candidatos à reeleição. As acusações, entretanto, ainda precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam irregularidades comprovadas.
Novo tem três ações contra a chapa Lula-Alckmin
Além de não reconhecer publicamente o resultado eleitoral, o Novo afirma ter apresentado três Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os processos pedem a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
As ações questionam episódios e medidas adotadas durante o ano eleitoral. Eduardo Ribeiro afirma que o partido manterá o posicionamento enquanto os processos estiverem em análise na Justiça.
O dirigente também declarou que a legenda não pretende questionar a vontade popular expressa nas urnas, mas os procedimentos que, na avaliação do partido, teriam favorecido os candidatos à reeleição.
A posição do Novo contrasta com a de outras legendas. Levantamento divulgado pelo Metrópoles aponta que 27 dos 29 partidos considerados na análise reconheceram a vitória de Lula. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, também está entre as siglas que aceitaram o resultado.
O Mobiliza foi apontado como a única legenda, além do Novo, que ainda não havia se manifestado publicamente até a publicação do levantamento.
Lula foi reeleito no segundo turno, em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a votação transcorreu dentro da normalidade e com segurança.
A quantidade de novos filiados anunciada pelo Novo ainda é uma informação divulgada pela própria legenda, sem confirmação independente dos números. A movimentação, porém, coloca o partido no centro das discussões sobre o posicionamento da oposição após a eleição presidencial.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



