Brasil intensifica negociações para tentar reduzir impacto do tarifaço dos EUA
Enquanto aguarda decisão de Washington, governo Lula mantém diálogo diplomático e conta com pressão de empresas americanas que dependem de produtos brasileiros

O governo brasileiro intensificou as negociações de última hora para tentar reduzir os impactos das novas tarifas de 25% e 12,5% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O prazo para uma decisão final de Washington termina na quarta-feira (15). Até lá, a estratégia é manter o diálogo, mas aguardar o alcance das medidas antes de definir uma eventual reação do Brasil.
Internamente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores trabalham com o cenário de confirmação das novas tarifas, considerado o mais provável. Essa avaliação ganhou força após a mais recente manifestação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que indicou que Brasil e Estados Unidos ainda estão distantes de um acordo.
Apesar disso, representantes do governo brasileiro seguem esperançosos e aguardam um convite para uma última reunião virtual com autoridades americanas, que poderá ocorrer até quarta-feira (15). A expectativa é de que, caso esse encontro aconteça, o Departamento de Estado dos Estados Unidos possa rever parte das medidas previstas no tarifaço.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já foi informado sobre os cenários traçados pela equipe econômica e diplomática. Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, apresentaram ao presidente o andamento das negociações. Lula reforçou que o Brasil deve manter o diálogo aberto até o último momento, sem abrir mão da posição de que as tarifas não têm justificativa.
Enquanto isso, cresce também a pressão dentro dos próprios Estados Unidos contra a adoção das novas tarifas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, pelo menos 43 empresas e associações comerciais americanas pediram que produtos brasileiros sejam retirados da lista de sobretaxas.
Nos documentos enviados ao governo americano, as entidades argumentam que muitos desses produtos não têm substitutos fabricados nos Estados Unidos, o que pode elevar custos para empresas locais e comprometer cadeias de abastecimento.
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que, caso as tarifas sejam confirmadas, a primeira reação do governo brasileiro será divulgar uma manifestação oficial de "indignação" contra a decisão da Casa Branca.
Apesar das tentativas de negociação, a avaliação da diplomacia brasileira é que Lula não deve buscar, neste momento, uma conversa direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A orientação é manter as tratativas pelos canais diplomáticos e aguardar a decisão oficial de Washington antes de avaliar uma eventual iniciativa entre os dois chefes de Estado.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



