Brasil e EUA: Governo Lula tenta última reunião para evitar 'tarifaço'
Governo federal busca uma última reunião com os Estados Unidos antes da decisão sobre a aplicação de um 'tarifaço' contra o Brasil, prevista para quarta-feira (15)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta uma última reunião com representantes dos Estados Unidos (EUA) para evitar a aplicação de um "tarifaço" contra o Brasil. Os norte-americanos devem definir se aplicam ou não a medida até a próxima quarta-feira (15), com base em uma investigação da chamada “seção 301”.
A gestão federal tenta, segundo fontes envolvidas nas negociações, alinhar a agenda com o chefe do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer. O encontro aconteceria no âmbito de um GT (grupo de trabalho) entre os países, voltado a discutir tarifas comerciais.
A expectativa é de que, neste encontro, o USTR já indique ao Brasil qual será a decisão final na investigação da “seção 301”. Esta será a quinta reunião de Greer com membros do governo brasileiro.
Lula convocou ministros na última sexta-feira (10)para definir a estratégia do Brasil nos últimos dias de negociação.
No encontro, os ministros apresentaram o atual momento das negociações. O cenário mais provável, indicaram, é de que os Estados Unidos taxem o Brasil em 25% no dia 15 de julho, o que levaria a uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
De acordo com fontes no Planalto, a avaliação é ponderada por sinais negativos em reuniões com os norte-americanos, o histórico negocial da administração de Donald Trump e as falas públicas recentes do chefe do USTR.
"Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós; portanto, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, pois temos um prazo legal que se encerra em 15 de julho", disse Greer em entrevista na última quinta-feira (9).
Na reunião, Lula decidiu manter a estratégia adotada: seguir com a negociação técnica, mas sem fazer concessões que, na visão do governo brasileiro, não se justifiquem. Dessa forma, temas considerados caros pelos norte-americanos, como tarifas para o etanol, seguirão fora da mesa, pois o Brasil diz que EUA não têm base para tarifas.
Participaram da reunião Márcio Elias Rosa, secretário-executivo do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira – principais representantes brasileiros no GT de negociação do tarifaço.
Entre os cenários traçados pelo Palácio do Planalto, a aplicação das tarifas ainda é a mais provável. No entanto, não se descarta que os EUA adiem as taxas para viabilizar uma vitória política ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que atuou na audiência do tarifaço. Essa hipótese, contudo, é considerada remota.
Uma das principais apostas brasileiras para evitar a taxação foi a apresentação aos norte-americanos de um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da “seção 301”, que serve como base para a ameaça norte-americana de taxar o país em 25%.
O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção até o controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o Pix é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.
Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto, apurou a CNN.
Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.
Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.
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