Bolsonaro na Papudinha: oposição pede prisão domiciliar, e base de Lula comemora
Bolsonaro estava na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília desde 22 de novembro, quando foi preso preventivamente após violar a tornozeleira eletrônica.

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chamada "Papudinha", unidade ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou reação entre aliados de Bolsonaro e a base do presidente Lula (PT) no Congresso.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado da família Bolsonaro, não se posicionou totalmente contra a decisão. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que "aparentemente" a cela onde o ex-presidente ficará oferece "um espaço maior, sem barulho e com atendimento médico 24 horas".
O senador Jorge Seif Junior (PL-SC) afirmou que Bolsonaro teve "seus direitos violados" ao ser mantido preso "enquanto enfermo, em uma prisão injusta, e agora na Papuda".
Base do governo Lula celebra a transferência
Entre os parlamentares da base do governo Lula, a decisão foi comemorada. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) escreveu que o ex-presidente "sonhou com o golpe, mas acordou na Papudinha". Rogério Correia (PT-MG) também comentou nas redes sociais: "A Papudinha lhe espera!".
Erika Hilton (PSOL-SP) disse que a unidade ainda é "muito ruim para um líder de organização criminosa que tentou um golpe de Estado" e afirmou que Bolsonaro "deveria viver as suas famosas palavras: bandido tem que apodrecer na cadeia".
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, elogiou Moraes: "Quem é chefe de organização criminosa armada tem que estar em presídio de segurança máxima".
Já Guilherme Boulos (PSOL-SP), ministro da Secretaria-Geral do governo Lula, publicou: "Aqui se faz, aqui se paga", acompanhado de um vídeo do ex-presidente.
Contexto da prisão e decisão do STF
Bolsonaro estava na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília desde 22 de novembro, quando foi preso preventivamente após violar a tornozeleira eletrônica. Ele cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, após condenação por liderar a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro.
Na decisão que autorizou a transferência, Moraes reconheceu que o sistema penitenciário é marcado por precariedade, mas ressaltou que Bolsonaro recebeu tratamento diferenciado em relação a outros condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, incluindo ar-condicionado, televisão, frigobar, banheiro privativo e entrega de comida caseira. O ministro destacou ainda que, mesmo com essas condições, houve "sistemática tentativa" de deslegitimar o cumprimento da pena por meio de pressão pública exercida por falas e declarações da família do ex-presidente.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



