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Alvo de pedido de cassação, vereador busca detalhes por acordo proposto pelo MP, mas comprovando inocência

Miltinho CGE está convencido de que não cometeu ilegalidades 

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Alvo de um pedido de cassação de mandato na Câmara de BH, o vereador Miltinho CGE (PDT) tenta conversar com os pares da Casa para evitar que o processo avance - e, em outra frente, busca entender uma proposta do Ministério Público para dar fim ao inquérito que apura se há nepotismo e ilegalidade na atuação de servidores de seu gabinete junto a uma ONG de resgate de animais.

Em março, o MP ofereceu à defesa do vereador a possibilidade de acertar um Acordo de Não Persecução Cível, fato que, se assinado, daria fim ao inquérito com o parlamentar não sendo alvo de uma ação na Justiça por improbidade administrativa. Só que, apesar da ideia levantada pelo MP, o parlamentar ainda não sabe quais as condições para assinar o acordo.

Para a equipe de Miltinho, um acordo acabaria com as dores de cabeça de enfrentar um processo judicial, mas ele estaria disposto de provar a inocência caso a proposta do MP fosse "desproporcional". O vereador está convencido de que não cometeu irregularidades - ele não teria conhecimento, por exemplo, do parentesco entre dois assessores de seu gabinete. Na argumentação dele, consta que, assim que soube que os funcionários eram tia e sobrinho, exonerou a mulher.

De fato, como mostrou a coluna, o assessor M.F.M omitiu, durante o processo de contratação na Câmara, que teria parentes na Casa.

O advogado Felipe Piló, que conduz a defesa de Miltinho, afirmou que o vereador reúne "todos os requisitos necessários para comprovar a sua inocência, considerando inexistir qualquer dolo ou ato de culpa por parte do parlamentar".

Na outra suposta ilegalidade investigada, Miltinho tem defendido que seus assessores não poderiam se omitir de resgatar animais em caso de estarem próximos a cachorros e gatos em situação de risco. No caso investigado, funcionários do gabinete do vereador estariam, durante horário de trabalho, atuando no resgate de um cão no Rio Arrudas.

Aliás, nesta segunda-feira (22), a Câmara divulgou a íntegra do inquérito do MPMG que investiga Miltinho. O procedimento foi instaurado no início de 2022, depois de uma denúncia anônima que apontava as irregularidades e até a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador. Durante a investigação, as acusações por rachadinha e desvio de recurso de ONG acabaram deixadas de lado por falta de provas.

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.