ALMG: oposição obstrui votações para derrubar veto de Zema à isenção de segundo pedágio
Coalizão liderada pelo PT tenta derrubar decisão do governador que barrou projeto aprovado pelo Legislativo no ano passado

Deputados estaduais de oposição ao governador Romeu Zema (Novo) passaram a obstruir as votações previstas para acontecer no plenário da Assembleia Legislativa. O movimento tem, como pano de fundo, o veto de Zema a um projeto de lei que isentava, da segunda tarifa de pedágio, motoristas que passam, duas vezes ou mais, por uma mesma rodovia estadual das 5h às 22h de um mesmo dia. A ideia é utilizar a obstrução como ferramenta para convencer os parlamentares aliados do Executivo a se manifestarem pela derrubada do veto.
Nessa quarta-feira (5), o presidente da Assembleia, Tadeu Martins Leite (MDB), não pôde abrir uma das reuniões plenárias previamente agendadas por causa da ausência do número mínimo de deputados presentes. Como a oposição sinalizou a obstrução, integrantes da base governista também não registraram presença.
Segundo o deputado Ulysses Gomes (PT), líder do bloco formado pelos deputados de oposição, a obstrução é fruto de “acordos não cumpridos” pelo governo.
“São vetos que, em nossa compreensão, não têm entendimento, haja vista a votação dos projetos à época, com unanimidade e acordos nesta Casa. O governo participa desses acordos e, em seguida, veta, sem dar justificativa e descumprindo o que tinha sido comprometido durante a votação. É legítimo e natural que a oposição se manifeste”, diz.
O líder do governo Zema no Legislativo, João Magalhães (MDB), refuta a alegação do colega.
“Não tenho conhecimento de nenhum descumprimento de acordo com o governo. Isso, para mim, é novidade. A falta de quórum é, primeiro, por conta da obstrução da oposição. E, segundo, por conta da viagem de vários parlamentares a Brasília. (Os deputados) estiveram com o senador Rodrigo Pacheco, entre outras audiências”, explica, ao comentar a baixa adesão a uma das reuniões plenárias convocadas para essa quarta-feira.
Mais dias de embate
A tendência é que o imbróglio na Assembleia não seja resolvido nos próximos dias. Assim, a análise dos vetos deve ficar para a semana que vem. Para que uma decisão governamental seja invalidada, ao menos 39 dos 77 deputados estaduais da Assembleia precisam discordar do chefe do Executivo.
Para Ulysses Gomes, o impasse em torno do veto à isenção do segundo pedágio mostra “falta de consolidação” da base de Zema na Assembleia — formada pela maioria dos deputados.
“Sem a presença da oposição, o governo não consegue abrir a sessão. A participação da oposição tem de ser reconhecida e valorizada. Esse é nosso papel”, aponta.
Do outro lado, apesar da postura da oposição, João Magalhães afirma que os governistas farão esforços para colocar o máximo possível de deputados em plenário a fim de manter os vetos de Zema.
“Não temos nenhuma urgência em votar os vetos, uma vez que não há nenhuma matéria prioritária do governo a ser pautada. Vamos aguardar a próxima semana e tentar votar novamente”, projeta.
Projeto apresentado em 2019
Deputado estadual em segundo mandato, Marquinho Lemos sugeriu a isenção do segundo pedágio em fevereiro de 2019, no primeiro mês como integrante da Assembleia Legislativa.
Ao barrar o projeto, Zema alegou que eventuais isenções tarifárias são decididas pelo Executivo, sob pena de “desfigurar” as atribuições desse poder.
“A isenção de tarifa de pedágio em rodovias estaduais, administradas sob o regime de concessão, decorre dos termos ajustados no contrato firmado entre a Administração Pública e a empresa concessionária, em conformidade com critérios técnicos definidos pelo Poder Executivo”, escreveu o governador, em texto enviado ao Poder Legislativo.
Marquinho discorda e aponta “alcance social” na concessão da gratuidade.
“Não estamos dando uma isenção total do pedágio. O morador (do entorno de uma rodovia estadual) vai continuar pagando, mas vai pagar só uma vez durante o dia, mesmo sabendo que vai passar duas, três ou quatro vezes pela mesma praça. Por isso, entendemos que ele não pode ser prejudicado”, assinala.
João Magalhães, por sua vez, concorda com o governador. “Se esse veto não for derrubado, vai inviabilizar a concessão de rodovias estaduais em Minas Gerais”, garante.
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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.



