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Acusação sobre fraude em urna não constou em representação de Moraes, aponta defesa de empresário

Defesa de empresário diz que houve 'curiosa inovação' em depoimento do ministro Alexandre de Moraes

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Defesa de empresário diz que Alexandre de Moraes mudou versão em depoimento para a PF
Defesa de empresário diz que Alexandre de Moraes mudou versão em depoimento para a PF • STF/Divulgação

A defesa o empresário Rogério Mantovani Filho, acusado de ter agredido Alexandre de Moraes, disse, em nota, ver uma “curiosa inovação” no depoimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) à Polícia Federal.

Segundo o advogado Ralph Tórtima, a declaração do ministro de que Andréa Munarão, mulher de Mantovani, lhe acusou de ter roubado a eleição de 2022 não consta na representação inicial que ele fez a PF. “A defesa ainda não teve acesso aos depoimentos da família Moraes, entendendo como temerária qualquer manifestação sua, antes do pleno conhecimento do que disseram”, afirma o advogado.

“Os investigados, por sua vez, mantém, na íntegra, o que já esclareceram à Polícia Federal. Inclusive, estão convictos de que as imagens do aeroporto confirmarão suas versões, reiterando que não houve qualquer ofensa direcionada ao ministro Alexandre de Moraes”, continuou o advogado.

Ainda de acordo com a defesa do casal, “o que se pode dizer, de forma objetiva, é que nenhuma das ofensas agora divulgadas, envolvendo fraude às urnas ou interferência no resultado eleitoral, constou da representação ofertada pelo ministro Alexandre de Moraes, elaborada imediatamente após os fatos. Trata-se de uma curiosa inovação”.

A CNN procurou o ministro Alexandre de Moraes para comentar a inexistência das acusações sobre urnas e resultados eleitorais na representação, mas ele não irá se manifestar.

A CNN teve acesso com exclusividade à representação, uma espécie de boletim de ocorrência que está sob sigilo, na qual o ministro detalha o episódio. O documento foi enviado ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues (clique aqui para ler a íntegra da representação).

Não há menção a fraudes ou interferência no resultado eleitoral na representação à qual a CNN teve acesso.

Moraes conta em seis páginas que quando Andréia Munarão o viu na área de embarque do aeroporto, passou a o ofender de “bandido, comunista e comprado”.

Relata também, na representação, que Roberto Mantovani Filho passou a gritar e, chegando perto do filho do ministro, Alexandre de Moraes, “o empurrou e deu um tapa em seus óculos”.

O ministro diz também na representação que as pessoas intervieram e o caso cessou, mas houve um segundo episódio ainda no aeroporto. Momento depois, Moraes diz que Roberto, a esposa Andréia e Alex Zanatta, genro do casal, retornaram à entrada da sala VIP onde ele estava com a família e, novamente, houve ofensas.

Depoimento de Moraes à Polícia Federal

Em depoimento à Polícia Federal na segunda-feira (24), em São Paulo, considerar que os ataques que sofreu no aeroporto de Roma tiveram conotação política, segundo fontes ouvidas pela CNN. Moraes teria relatado em depoimento que o objetivo dos ataques foi constranger a família dele.

No depoimento prestado na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, ainda segundo fontes da PF à CNN, Moraes afirmou que Andréa Munarão iniciou as agressões, assim como consta na representação.

Criminalistas com quem a CNN conversou informaram que, se comprovado o viés político, a pena ao empresário e à família dele pode ser mais grave porque estaria configurado crime contra Estado Democrático de Direito, além de calúnia, injúria e desacato.

*Com informações de Elijonas Maia, da CNN, em Brasília

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