Abin: PCC planejou ataques a autoridades para resgate em presídio em 2017
As ações foram planejadas para acontecer em quatro estados: São Paulo, Ceará, Acre e Rondônia

O Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do país, planejou ações violentas contra autoridades e instituições públicas de quatro estados em 2017. As lideranças do grupo emitiram “salves” (informes internos) a seus integrantes com objetivo de resgatar presos em uma penitenciária do Paraná. A ação marcaria os 24 anos de fundação da organização. A informação consta em um relatório de inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao qual a Itatiaia teve acesso.
De acordo com o documento, seriam "atos vultosos" até 31 de agosto daquele ano. As ações foram planejadas para acontecer em quatro estados: São Paulo, Ceará, Acre e Rondônia. O relatório tinha caráter reservado (ou seja, inacessível ao público), mas perdeu sigilo neste ano.
A Abin destaca, no documento, que o PCC passou por um período evitando exposição em ações violentas de massa pois teve “dificuldades” resultantes da resposta estatal aos ataques promovidos pela organização, em maio de 2006, contra as forças de segurança pública de São Paulo. Esse episódio resultou na morte de mais de 130 pessoas, incluindo policiais, agentes penitenciários e detentos.
Contudo, alguns fatores fizeram o PCC voltar a planejar novos ataques. Segundo a Abin eram "o clima de conflagração permanente, o endurecimento de regras e operações de desarticulação pelo Estado e o surgimento de novas lideranças intermediárias, eventualmente mais impetuosas".
No documento, a Abin diz que o intuito de afrontar o Estado, associado à escalada do poderio bélico e à capacidade de planejamento operacional caracterizam a atuação do PCC como principal ameaça à segurança institucional e à ordem constitucional no Brasil. "Ações violentas praticadas pelo grupo teriam potencial de paralisar importantes atividades em cidades brasileiras, com perda de vidas e forte impacto na percepção coletiva sobre a capacidade do Estado de prover Segurança Pública."
"Em 2017, já foram identificados comunicados do PCC com o ideal de praticar ações de afronta ao Estado em agosto, com potencial de grande repercussão, como plano de resgate em penitenciária do Paraná. Após cooperação entre órgãos de Inteligência e Segurança brasileiros e paraguaios, seis integrantes da célula do PCC responsável pela execução do resgate foram detidos no país vizinho e entregues às autoridades brasileiras."
SEIS ANOS DEPOIS
Nesta quinta-feira (14), agentes da Polícia Federal (PF) prenderam três integrantes do PCC suspeitos de integrarem um grupo que planejava sequestros e atentados a autoridades. Na lista de possíveis vítimas estariam os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
De acordo com a PF, além dos mandados de prisão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado, foram cumpridos outros 16 de busca e apreensão em São Paulo. Cerca de 150 policiais federais e militares participaram da ação.
Batizada de 'Irrestrita', a operação tenta desmantelar a célula da organização criminosa voltada à prática de crimes de homicídio contra rivais e autoridades. A compra e venda de armas de fogo ilegais também é investigada.
Na semana passada, o jornal Folha de S. Paulo revelou que o PCC enviou para Brasília uma equipe para uma ação que teria Pacheco e Lira como alvos. Também foram encontrados explosivos durante as investigações. Eles seriam usados em um atentado contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).
As informações divulgadas pelo jornal constam em um relatório feito pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) encaminhado à PF em novembro deste ano.
É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.







