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Abin Paralela: Bolsonaro sabia da operação da Polícia Federal? Saiba mais

Veja cronologia do ex-presidente indicando a apoiadores preocupação com ‘dias difíceis’

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Bolsonaro esteve na embaixada da Hungria após ser alvo da PF • Alan Santos | PR

O ex-presidente Jair Bolsonaro enviou recados a apoiadores anunciando "dias difíceis", na saída da casa em Angra dos Reis (RJ) antes dos agentes da Polícia Federal (PF) chegarem no imóvel. O ato, assim como a reforma no imóvel que o ex-presidente residia, despertaram dúvidas se Bolsonaro teve acesso privilegiado sobre as ações da PF que estavam prestes a acontecer.

Veja cronologia dos fatos

No dia 21 de janeiro, o ex-presidente, por meio de mensagem disparada em um dos seus canais no Telegram, demonstrou estar temeroso com seus apoiadores. Sem citar nada específico, Bolsonaro afirmou que “as próximas semanas” poderiam “ser decisivas”, quatro dias antes da Polícia Federal iniciar uma ação contra um esquema de espionagem ilegal na Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

No dia 24 de janeiro, Bolsonaro retornou as suas redes sociais para expressar preocupação com os dias que viriam. O ex-presidente escreveu: “As próximas semanas poderão ser decisivas. Vivemos momentos difíceis, de muitas dores e incertezas".

Início das operações

No dia seguinte, 25 de janeiro, a Polícia Federal iniciou a operação e cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeitos de participar de espionagem ilegais na Abin. Entre os alvos da busca estava o ex-diretor da instituição, deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Alexandre esteve a frente da agência durante o governo Bolsonaro e atualmente é pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. A PF apreendeu diversos documentos na casa de Alexandre.

Três dias se passaram e o ex-presidente realizou uma live, ao lado dos filhos. Durante a live, Bolsonaro negou veemente qualquer hipótese da chamada “Abin paralela”, além de defender Alexandre Ramagem. A ocasião também foi utilizada para criticar o Tribunal Superior Eleitoral e retornou a elogiar a existência do voto impresso.

No dia seguinte, 29 de janeiro, o filho do ex-presidente e vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos - RJ) torna-se alvo das operações da PF. Todas as pessoas supostamente envolvidas nas ações e também que receberam comunicados da “Abin Paralela” foram surpreendidos por mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal. A casa do vereador, na Barra da Tijuca, seu gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e a casa em Angra dos Reis onde Carlos também foram alvos da PF.

Passaporte recolhido

No dia 8 de fevereiro uma nova operação da Polícia Federal: os agentes se dirigiram até a casa de Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ) para apreender o passaporte do ex-presidente, mas não foi encontrado. O documento apreendido estava na sede do PL, em Brasília. O ex-assessor de Bolsonaro, Tércio Thomaz, teve o celular apreendido.

A reforma realizada na casa do ex-presidente em Angra dos Reis também é vista com suspeita pela oposição. Em entrevista cedida à Folha de São Paulo, Bolsonaro afirmou que as reformas que foram realizadas se iniciaram após temor de que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, bloqueasse suas contas. Bolsonaro endossou que todas as reformas foram realizadas com o próprio dinheiro e aconteceram no final de 2023.

Prisão do presidente do PL

Um 8 de fevereiro interminável para o Partido Liberal: na manhã da última quinta-feira, o dirigente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, foi preso em flagrante em Brasília, por porte ilegal de arma de fogo. A arma encontrada não tinha registro. O mandado de busca foi expedido pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Valdemar, que é aliado de Bolsonaro, é investigado por participar de ações para um golpe de Estado. No dia seguinte, Moraes converteu a prisão do presidente do PL, em preventiva. Já no dia 10, o STF concedeu liberdade provisória a Valdemar.

Estado de sítio

A Polícia Federal, durante a tarde do último dia 8, encontrou diversos documentos dentro da sede do PL, em Brasília, que defendem e reforçam a investigação de que um grupo se movimentou na tentativa de decretar estado de sítio. Um dos textos encontrados ainda menciona que a medida é necessária para “garantir a lei e a ordem do país”. O documento não estava assinado e foi encontrado na sala do ex-presidente.

Documento encontrado na sede do Partido Liberal (PL) endossam suspeitas de tentativa de golpe

A operação realizada pela Polícia Federal na sede do partido, tinha como objetivo investigar a atuação de Bolsonaro e ex-ministros na tentativa de um golpe de Estado para evitar a eleição de Lula nas últimas eleições gerais, realizadas em 2022.

O que diz a defesa

A apreensão do passaporte do ex-presidente foi criticada pelos seus advogados de defesa. Além de ressaltar que Bolsonaro sempre esteve à disposição da Justiça, em nota divulgada na última quinta-feira (8).

A defesa de Bolsonaro criticou a apreensão do passaporte e argumentou que ele sempre esteve à disposição da Justiça. "A medida se mostra absolutamente desnecessária e afastada dos requisitos legais e fáticos que visam garantir a ordem pública e o regular andamento da investigação, os quais sempre foram respeitados", afirma a nota.

A defesa ainda expressou “indignação” sobre as ações realizadas pela Polícia Federal. "A despeito disso, desde março [Bolsonaro] vem sendo alvo de repetidos procedimentos, que insistem em uma narrativa divorciada de quaisquer elementos que amparassem as graves suspeitas que repetidamente lhe vem sendo impingidas", afirma o documento.

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Repórter de Política Nacional e Internacional na rádio Itatiaia. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pós-graduanda em Comunicação Governamental na PUC Minas. Sólida experiência no Legislativo e Executivo mineiro. Premiada na 7ª Olimpíada Nacional de História do Brasil da Universidade de Campinas.