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8 de janeiro: General Dutra nega que tenha recebido pedido de Bolsonaro para não remover acampamentos

O general Dutra, que chefiava o Comando Militar do Planalto, disse, em depoimento à CPMI, que tomou conhecimento das convocações para os atos do dia 8 de janeiro 

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General Dutra é ouvido nesta quinta-feira (14) pela CPMI dos Atos Antidemocráticos
General Dutra é ouvido nesta quinta-feira  • Geraldo Magela/Agência Senado

O ex-chefe do Comando Militar do Planalto general Gustavo Henrique Dutra de Menezes revelou nesta quinta-feira (14), em depoimento à CPMI dos Atos Antidemocráticos, que recebeu uma ligação do então comandante do Exército general Antônio Freire Gomes, para suspender a atuação da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na retirada dos acampamentos golpistas no dia 29 de dezembro. A PMDF havia sido acionada depois que agentes do DF Legal foram hostilizados pelas pessoas que acampavam na frente do quartel-general do Exército.

O general Dutra detalhou que pelo menos mil pessoas chegaram aos acampamentos, em frente ao quartel-general do Exército no dia 29 de janeiro, e que houve um pedido do comando da tropa para evitar confronto com os manifestantes.

O ex-chefe do Comando Militar do Planalto afirmou que a ordem para evitar conflito tinha o objetivo de não prejudicar a posse presidencial, que ocorreu em 1 de janeiro de 2023. “Ele determinou que a operação fosse cancelada com a presença da PM, e que continuasse somente com o Exército, como estava previsto. Ele pediu para agradecermos a presença da PM, mas que, naquele momento, não podia ter enfrentamento porque estávamos nas vésperas da posse, e um enfrentamento nas vésperas da posse poderia atrapalhar na normalidade do evento que ocorreria depois”, frisou. O general negou que tenha recebido algum tipo de contato do então presidente Jair Bolsonaro (PL) para que os acampamentos não fossem removidos.

O general Dutra admitiu que tomou conhecimento da convocação para manifestações na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios, no dia 8 de janeiro. O ex-chefe do Comando Militar do Planalto enfatizou, no entanto, que o Exército não tinha atribuição para a retirada dos manifestantes, que acamparam por 70 dias em frente ao quartel-general da tropa, em Brasília. O general Dutra é investigado pelo Ministério Público Militar, que apura se houve falha de planejamento, negligência ou omissão.

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Repórter da Itatiaia desde 2018. Foi correspondente no Rio de Janeiro por dois anos, e está em Brasília, na cobertura dos Três Poderes, desde setembro de 2020. É formado em Jornalismo pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso), com pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político.