Tutores de cães e gatos devem redobrar atenção para pulgas e carrapatos no verão

No calor, o metabolismo desses parasitas acelera, o que reduz drasticamente o tempo de incubação dos ovos e apressa a transição entre as fases de desenvolvimento deles

No calor, o metabolismo desses parasitas acelera, o que reduz drasticamente o tempo de incubação dos ovos e apressa a transição entre as fases de larva, ninfa e adulto.

Com a chegada das altas temperaturas e o aumento da umidade, características do verão brasileiro, os tutores de cães e gatos precisam ter atenção redobrada para a explosão populacional de pulgas e carrapatos.

O fenômeno tem uma explicação biológica: no calor, o metabolismo desses parasitas acelera, o que reduz drasticamente o tempo de incubação dos ovos e apressa a transição entre as fases de larva, ninfa e adulto.

Um erro comum entre os tutores é acreditar que o problema está restrito ao que se vê no corpo do animal. Na realidade, a menor parte dos parasitas são visíveis. A maioria está espalhada pelo ambiente, como frestas de piso, tapetes e jardins. Enquanto uma pulga adulta pode colocar até 50 ovos por dia, o carrapato é ainda mais prolífico, sendo capaz de depositar milhares de ovos no entorno.

“A população que vemos no animal é apenas a ponta do iceberg. O grande reservatório de reinfestação está onde o pet dorme e circula. Sem tratar o ambiente, o ciclo nunca se rompe”, explica Vanessa Pimentel, especialista em dermatologia veterinária.

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Para combater essa ameaça, a indústria oferece produtos com mecanismos de ação distintos, adaptados ao estilo de vida de cada pet.

As coleiras liberam princípios ativos gradualmente, sendo ideais para proteção de longo prazo; as pipetas agem topicamente pela gordura da pele; e os comprimidos mastigáveis possuem ação sistêmica, caindo na corrente sanguínea.

“O tutor precisa entender que a escolha do método não é apenas por conveniência, mas por eficácia biológica. O comprimido, por exemplo, mata o parasita tão rápido que impede a postura de ovos, quebrando o ciclo de vida de forma drástica”, reforça Vanessa.

Além disso, o número de casos de doenças do sangue, como a Erliquiose e a Babesiose, cresce exponencialmente nos consultórios durante o verão.

Segundo Marcio Barboza, médico veterinário e gerente técnico da MSD Saúde Animal, “o tutor não deve esperar ver o carrapato para medicar, pois a prevenção precisa ser contínua. Um único parasita infectado é suficiente para desencadear quadros de anemia profunda e falência renal, colocando em risco a longevidade do animal”, alerta o especialista.

Além dos riscos diretos aos animais, a prevenção é uma barreira sanitária para a família. De acordo com notas técnicas do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), muitas dessas doenças são zoonoses.

“Cuidar do animal é uma questão de saúde pública familiar. Carrapatos podem transmitir a Febre Maculosa e as pulgas podem transmitir verminoses e dermatites severas tanto para os bichos quanto para os humanos que com eles convivem”, afirma o órgão em suas diretrizes de orientação ao público.

O controle de ectoparasitas exige disciplina e a compreensão de que prevenir é mais barato e menos traumático do que tratar as complicações de uma infestação já estabelecida. Conforme Barboza, “a melhor medicina ainda é a antecipação. No verão, qualquer dia sem proteção é uma janela aberta para doenças que podem ser evitadas com um gesto simples”.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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