A anatomia peculiar do cachorro Dachshund, conhecido como “salsicha”, esconde uma fragilidade genética severa na coluna vertebral. Um em cada quatro cães da raça sofrerá de Doença do Disco Intervertebral (IVDD) em algum momento da vida, segundo o The Dachshund Breed Council, sediado no Reino Unido.
A condição, que pode levar à paralisia repentina, ocorre quando os discos que amortecem as vértebras se degeneram e apertam a medula espinhal. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o diagnóstico precoce e os cuidados preventivos são as únicas formas de garantir que esses animais mantenham sua mobilidade.
A degradação do disco no Dachshund é um processo condrodistrófico, ou seja, os discos envelhecem precocemente, se tornam rígidos e quebradiços. Segundo a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), que também monitora patologias de coluna em pequenos animais que convivem em lares multiespécies, o primeiro sinal de alerta nem sempre é a perda de movimento.
“Muitos tutores ignoram os sinais de dor na coluna, como o animal evitar pular no sofá, ficar com as costas arqueadas ou tremer ao ser pego no colo. Quando a paralisia ocorre, a compressão já está em estágio crítico”, explicam os manuais técnicos de neurologia veterinária.
A prevenção é a base da criação de um “salsicha” em casa. O cuidado com o peso, por exemplo, é inegociável: cada grama extra representa uma carga adicional sobre uma coluna já vulnerável. Além disso, o impacto vertical prejudica muito a saúde dessa raça. E por isso, o uso de rampas ou escadas pet para subir e descer de camas e sofás é uma recomendação unânime entre ortopedistas veterinários, conforme já publicado pela Itatiaia.
O médico veterinário especializado em reabilitação, Ricardo Lopes, diz que “o salto de um sofá pode ser o gatilho para a extrusão do disco. Adaptar a casa com rampas não é um luxo, mas uma necessidade médica para preservar a integridade da medula do animal”.
Ao presenciarem qualquer sinal de fraqueza nas patas traseiras ou se o animal começar a “arrastar” as unhas no chão, a ida ao veterinário deve ser imediata, pois as primeiras 24 horas após o início dos sintomas são as mais importantes: quanto mais rápido o tratamento, seja ele conservador com repouso absoluto ou cirúrgico, maiores as chances de o cão voltar a andar normalmente.
Diretrizes de posse responsável, como as do The Dachshund Breed Council, orientam que “respeitar a anatomia da raça é a maior prova de amor que um tutor pode oferecer”.