Qual é a idade certa para separar um filhote de cachorro da mãe? Veterinário faz alerta importante
Especialistas em comportamento canino alertam que separar um filhote da mãe e dos irmãos antes das oito semanas pode prejudicar o desenvolvimento emocional e social do animal

Adotar um filhote de cachorro é um momento esperado por muitas famílias, mas a idade em que o animal deixa a mãe pode ter influência importante em seu desenvolvimento. Segundo especialistas em comportamento canino, retirar o filhote muito cedo da mãe e dos irmãos pode aumentar a possibilidade de dificuldades comportamentais no futuro.
O adestrador canino Juan Manuel Liquindoli, destacado pelo Infobae, fez um alerta sobre o assunto. Segundo ele, adotar cães com apenas 45 dias ainda é considerado uma decisão prematura.
"A literatura e as evidências mostram que o ideal é que os filhotes passem pelo menos 60 dias com a mãe. O ideal seria 70", afirmou o especialista.
Por que a convivência com a mãe é tão importante?
Durante as primeiras semanas de vida, o filhote não apenas recebe cuidados da mãe. A convivência com ela e com os irmãos também funciona como uma espécie de aprendizado para situações que farão parte da vida do animal.
Um dos exemplos está relacionado à força da mordida. Segundo Liquindoli, os filhotes aprendem com a mãe e os irmãos a controlar a intensidade das mordidas durante as interações.
"Um filhote que é separado da mãe prematuramente pode ter menos inibição da mordida. São cães que não controlam tanto a força da mordida e a intensidade, porque a mãe e os irmãos ensinam a moderar essa mordida", explicou.
A matéria também cita estudos associados à Associação Americana de Medicina Veterinária, segundo os quais cães separados da ninhada antes das oito semanas apresentam com maior frequência dificuldades relacionadas ao controle da mordida, além de medo, ansiedade e reatividade diante de outros cães.
Separação precoce também pode afetar a tolerância à frustração
Outro ponto destacado pelo especialista é a capacidade de lidar com situações frustrantes e estressantes.
Ao conviver com a mãe e os irmãos, o filhote aprende que nem sempre terá acesso imediato àquilo que deseja. Essa experiência contribui para o desenvolvimento de comportamentos importantes.
"Na relação com a mãe e também com os irmãos, eles aprendem que há momentos em que a mãe está disponível e momentos em que ela não está. Quando são separados prematuramente, depois vemos cães que têm muitas dificuldades com a tolerância à frustração e com o gerenciamento do estresse em situações difíceis", afirmou Liquindoli.
Um relatório da Universidade Purdue também aponta consequências semelhantes. Segundo o documento citado pela reportagem, filhotes separados da mãe e da ninhada antes das oito semanas tendem a apresentar maior facilidade e intensidade ao morder e podem desenvolver problemas de reatividade, ansiedade e dificuldades de vínculo na vida adulta.
Oito semanas são suficientes?
A idade mínima apontada por especialistas pode variar, mas oito semanas aparecem como uma referência importante.
A Universidade Cornell considera oito semanas como o mínimo aceito por veterinários e criadores, embora reconheça que o período ideal possa se estender até 12 semanas. Já um posicionamento conjunto de especialistas em comportamento animal na Espanha recomenda a adoção entre oito e dez semanas, desde que o filhote tenha permanecido em contato contínuo com a mãe e os irmãos durante esse período.
A recomendação também encontra respaldo na legislação espanhola. A Lei 7/2023, de proteção dos direitos e do bem-estar dos animais, proíbe a entrega de cães, gatos e furões antes das oito semanas de vida, salvo situações justificadas por veterinários. O descumprimento pode resultar em multas de até 50 mil euros.
E quando o filhote é encontrado na rua?
Nem sempre é possível escolher a idade em que um cachorro será acolhido. Filhotes abandonados ou encontrados em situação de risco podem precisar de ajuda imediatamente.
O próprio Liquindoli reconhece essa diferença. "Às vezes há filhotes que aparecem em um bairro ou na rua e precisam ser adotados, e nesse caso nós os adotamos na idade que for", afirmou.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



