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Ela desapareceu da Espanha há 45 anos; agora, 18 exemplares ajudam a espécie a voltar

Projeto de conservação tenta recuperar o toirão-andaluz, ave considerada extinta na Espanha desde 1981, a partir da criação em cativeiro de 18 exemplares

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O toirão-andaluz • Francesco Veronesi via Wikimedia Commons

Uma ave que desapareceu na Espanha há mais de quatro décadas pode estar dando os primeiros passos para voltar aos ambientes naturais do país. A região da Andaluzia recebeu 18 exemplares do toirão-andaluz, espécie considerada extinta no território espanhol desde 1981.

Os animais vieram do Marrocos, onde ainda existe a única população conhecida da subespécie que viveu no passado na Espanha. As aves chegaram ao porto de Algeciras, na Andaluzia, em 9 de setembro, e foram levadas para o Centro de Conservação da Biodiversidade Zoobotânico de Jerez.

A chegada dos exemplares faz parte de um projeto que pretende criar uma população reprodutiva em cativeiro. A ideia é aumentar gradualmente o número de aves e, no futuro, utilizar parte delas em ações de reintrodução em áreas onde o toirão-andaluz vivia historicamente. As informações são do site argentino Infobae.

Uma espécie que desapareceu do território espanhol

O toirão-andaluz, de nome científico Turnix sylvatica, já esteve presente em várias regiões da Andaluzia, especialmente nas áreas próximas ao litoral. Durante o século XX, porém, a população começou a diminuir de forma acentuada.

Na década de 1970, os registros seguros da espécie já eram poucos e estavam concentrados principalmente nas províncias de Huelva e Cádiz. O último registro considerado indiscutível na Espanha ocorreu em 1981, quando um exemplar foi caçado em Doñana.

Depois disso, houve relatos e possíveis avistamentos em diferentes pontos do litoral de Cádiz e Huelva, mas nenhum deles confirmou de maneira definitiva a permanência da espécie no país. Atualmente, o toirão-andaluz é considerado extinto em toda a Europa.

Por que a ave desapareceu?

Um dos principais fatores associados ao desaparecimento do toirão-andaluz foi a transformação de seu habitat. A expansão de áreas irrigadas, o reflorestamento e a construção de novas infraestruturas alteraram profundamente os campos e áreas de vegetação costeira onde a espécie vivia.

Outro problema pode ter sido a caça acidental. Com cerca de 15 centímetros de comprimento e envergadura de aproximadamente 25 a 30 centímetros, o toirão-andaluz tem aparência semelhante à de uma codorna. Essa semelhança pode ter feito com que alguns exemplares fossem abatidos por engano.

A situação também é delicada no Marrocos. A população existente é pequena e os registros mais recentes indicam uma tendência de redução, o que torna a conservação da espécie uma tarefa urgente.

Os 18 exemplares são apenas o começo

A transferência das aves para a Espanha foi preparada durante cerca de um ano e meio. Nesse período, foram realizados trabalhos técnicos, reuniões entre os órgãos envolvidos e ações para localizar e resgatar ovos dos ninhos no Marrocos.

Os ovos foram incubados até a eclosão, permitindo que os exemplares fossem preparados para integrar o programa de reprodução em cativeiro. A estratégia busca formar um grupo reprodutor suficientemente grande e com diversidade genética para dar sustentação às próximas etapas do projeto.

A previsão é que outras campanhas sejam realizadas nos próximos anos para ampliar o número de animais. Paralelamente, existe a possibilidade de criação de outro núcleo de conservação no Parque Zoológico de Aïn Sebaâ, em Casablanca, também no Marrocos.

Os dois grupos deverão ser administrados de forma coordenada, aumentando as possibilidades de reprodução e conservação da espécie.

Um possível retorno ao litoral da Andaluzia

A reintrodução não será imediata. Antes de liberar as aves na natureza, será necessário formar uma população reprodutiva suficientemente grande e garantir que existam áreas adequadas para receber os animais.

A experiência segue uma estratégia semelhante à utilizada em outros programas de conservação de espécies ameaçadas da Península Ibérica. A criação fora do ambiente natural permite aumentar a população com maior controle antes de uma eventual soltura.

Para a Junta da Andaluzia, a recuperação do toirão-andaluz pode ter um efeito que vai além da própria espécie. Segundo o órgão, a ave pode funcionar como uma espécie "guarda-chuva", cuja proteção também contribua para preservar os habitats e outras aves que vivem no litoral do Mediterrâneo ocidental.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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