Orca de 60 anos é encontrada com graves ferimentos e acende alerta no Estreito de Gibraltar
Toñi, conhecida como “a avó”, foi avistada com dez marcas na nadadeira dorsal que são compatíveis com impactos de projéteis; caso preocupa especialistas devido ao pequeno número de orcas ibéricas

Uma das orcas mais importantes do Estreito de Gibraltar foi encontrada com graves ferimentos, provocando preocupação entre pesquisadores e autoridades espanholas. Toñi, de 60 anos e conhecida entre os especialistas como “a avó”, apresentou dez marcas na nadadeira dorsal compatíveis com impactos de projéteis.
O animal foi localizado no dia 10 de agosto por uma equipe de pesquisadores, enquanto nadava pelo Estreito de Gibraltar acompanhada de outras duas orcas. O avistamento chamou atenção porque Toñi não era registrada na região havia cerca de dois anos.
Segundo os especialistas, as marcas observadas na nadadeira são compatíveis com disparos. A análise das imagens indicou dez impactos, alguns deles ainda alojados na região. O padrão das marcas também chamou a atenção dos pesquisadores.
“Esse tipo de munição costuma distribuir nove projéteis em três fileiras de três, um padrão compatível com a disposição das marcas”, explicaram integrantes do Grupo de Trabalho Orca Atlântica, conforme destaca o site argentino Infobae.
Preocupação com o comportamento do animal
Além da preocupação com as lesões, os pesquisadores acompanham de perto as mudanças no comportamento de Toñi. Embora ela continue caçando, os especialistas perceberam que a orca está descansando mais e se mostrando menos sociável do que em observações anteriores.
A presença de alguns impactos ainda na nadadeira também aumenta o risco de complicações, incluindo possíveis infecções.
Ignacio Peinó González, pesquisador que participou do monitoramento, destacou que Toñi sempre apresentou boas condições de saúde. “Ela sempre teve um sistema imunológico forte e esteve muito bem, então confiamos que possa superar isso apesar da idade”, afirmou.
Toñi tem papel importante entre as orcas ibéricas
A preocupação dos cientistas vai além da saúde de um único animal. Toñi é considerada uma figura central dentro do grupo de orcas ibéricas por sua idade e experiência.
A população desses animais é extremamente pequena, com estimativas de apenas 30 a 40 indivíduos. Por isso, a perda de uma orca adulta e experiente pode representar um impacto significativo para a espécie.
Toñi também tem uma relação importante com outros integrantes do grupo. Segundo Janek Andre, presidente da WeWhale Association, a morte do animal poderia significar a perda da figura materna para um macho jovem que está sob sua proteção.
Autoridades espanholas investigam o caso
O Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico da Espanha abriu uma investigação depois de receber informações sobre os ferimentos. A pasta informou que as marcas são compatíveis com impactos de projéteis e busca esclarecer o que aconteceu e identificar possíveis responsáveis.
“A orca mais longeva do Estreito de Gibraltar apareceu esta semana com marcas compatíveis com disparos de projéteis. É uma espécie vulnerável e qualquer dano contra ela é um crime grave”, afirmou a vice-presidente e ministra Sara Aagesen.
As orcas do Estreito de Gibraltar e do Golfo de Cádiz são classificadas como vulneráveis no Catálogo Espanhol de Espécies Ameaçadas. A legislação espanhola proíbe ações destinadas a matar, capturar, perseguir ou perturbar esses animais.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



