O que significa o cachorro ficar olhando nos seus olhos, segundo a Ciência
Estudo mostra que o contato visual prolongado entre cães e tutores aumenta a ocitocina e pode fortalecer ainda mais o vínculo entre humanos e animais

Às vezes, um cachorro olha para você e parece querer dizer alguma coisa apenas com os olhos. Esse comportamento, que muitas vezes é interpretado como uma demonstração de carinho ou atenção, pode ter uma explicação biológica.
Pesquisadores descobriram que o contato visual prolongado entre cães e seus tutores está associado a um aumento da ocitocina, hormônio relacionado à formação de vínculos, confiança e comportamento social. O efeito acontece nos dois lados, tanto no animal quanto na pessoa.
A pesquisa foi conduzida pelo especialista em comportamento animal Takefumi Kikusui, da Universidade de Azabu, no Japão, e sua equipe. Os cientistas observaram cães e seus donos durante interações e analisaram os níveis de ocitocina apresentados pelos participantes.
Olhar nos olhos pode criar um ciclo de aproximação
Os resultados chamaram a atenção principalmente entre os pares que passaram mais tempo olhando diretamente uns para os outros.
Nos cães, machos e fêmeas que mantiveram mais contato visual apresentaram um aumento de 130% nos níveis de ocitocina. Entre os donos, o crescimento foi ainda maior, chegando a 300%.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam a existência de uma espécie de ciclo hormonal positivo. O cão olha para o tutor, a ocitocina aumenta e essa resposta pode favorecer novas interações sociais entre os dois.
A ocitocina está relacionada a processos de vínculo e confiança em diferentes mamíferos. Por isso, os resultados ajudam a explicar, pelo menos em parte, por que cães conseguem estabelecer relações sociais tão próximas com os seres humanos.
Significado diferente do observado em lobos
Uma das questões que chamaram a atenção dos pesquisadores foi a diferença entre cães e lobos.
Os cães desenvolveram uma capacidade bastante forte de compreender sinais humanos, como gestos e apontamentos. Eles também se mostram confortáveis mantendo contato visual com pessoas.
Com os lobos, entretanto, a situação é diferente. O contato visual prolongado pode ser interpretado como uma ameaça. Além disso, o aumento de ocitocina observado durante o contato visual entre cães e seus donos não foi identificado nos grupos formados por lobos e seus tutores.
Para os pesquisadores, essa diferença pode ajudar a entender como os cães se tornaram tão adaptados à convivência e à comunicação com seres humanos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



