Síndrome de Noé: quando o amor pelos animais passa a ser um problema de saúde mental
Entenda a condição associada ao acúmulo excessivo de animais, após o caso de uma mulher no Peru, que mantinha dezenas de pets em condições preocupantes

Uma situação envolvendo dezenas de animais em uma residência de Los Olivos, em Lima, no Peru, chamou a atenção de vizinhos e ativistas e trouxe à tona uma questão pouco conhecida: a chamada síndrome de Noé. A expressão é utilizada para descrever casos em que uma pessoa acumula animais em quantidade excessiva e perde a capacidade de oferecer a eles os cuidados necessários.
Segundo informações divulgadas pelo Infobae, uma mulher de 52 anos vivia em uma casa de quatro andares onde havia cerca de 20 gatos, duas cadelas e um coelho de nove anos. Alguns dos animais apresentavam ferimentos, problemas de pele e pulgas. A situação também estaria relacionada ao acúmulo de lixo no imóvel, o que gerou preocupação entre os moradores da região.
O que é a síndrome de Noé?
A síndrome de Noé está relacionado a situações de acumulação compulsiva de animais. Em muitos casos, a pessoa acredita estar ajudando ou salvando os bichos, mas a quantidade acumulada acaba ultrapassando sua capacidade de cuidar deles.
Com o tempo, podem surgir problemas como falta de espaço, alimentação inadequada, ausência de cuidados veterinários e condições de higiene insuficientes. O resultado pode ser prejudicial tanto para os animais quanto para a própria pessoa e para quem vive nas proximidades.
No caso registrado em Los Olivos, a situação chegou ao conhecimento público justamente pelas condições em que os animais estavam vivendo. Ativistas passaram a buscar novos lares para os bichos e também solicitaram doações para ajudar com alimentação e despesas médicas.
Quando a tentativa de ajudar se transforma em acúmulo
O problema pode começar de maneira aparentemente positiva. Uma pessoa encontra um animal abandonado, decide acolhê-lo e, posteriormente, passa a fazer o mesmo com outros bichos.
A dificuldade aparece quando o número de animais cresce continuamente e a pessoa já não consegue garantir os cuidados básicos. Mesmo diante das evidências de que a situação saiu do controle, pode existir uma forte dificuldade em reconhecer que é necessário parar de acolher novos animais ou permitir que alguns sejam encaminhados para outros responsáveis.
Por isso, situações desse tipo não devem ser tratadas simplesmente como falta de amor ou negligência deliberada. O caso pode envolver uma condição de saúde mental que precisa de atenção.
Animais também sofrem com a situação
Embora a intenção inicial possa ser proteger os animais, o acúmulo excessivo pode produzir justamente o efeito contrário. Em ambientes superlotados, aumentam os riscos de doenças, parasitas, ferimentos e falta de alimentação ou cuidados veterinários.
No imóvel de Los Olivos, por exemplo, alguns dos animais apresentavam problemas de saúde e viviam em condições consideradas preocupantes por vizinhos e ativistas. A mobilização para encontrar novos lares mostra que o resgate dos animais precisa ser acompanhado de medidas capazes de garantir seu bem-estar.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



