Pinguins com mais de 30 anos desafiam a natureza no Aquário de Boston
Instituição adapta rotina, tratamentos e até o ambiente para garantir bem-estar a aves idosas que já vivem muito além da expectativa natural da espécie

Enquanto na natureza os pinguins-africanos costumam viver entre 10 e 15 anos, um grupo de sete aves do New England Aquarium, em Boston, surpreende por ter ultrapassado os 30 anos de idade. Para garantir qualidade de vida nessa fase, os animais recebem uma rotina personalizada, que inclui tratamentos médicos, fisioterapia, estímulos cognitivos e adaptações no ambiente onde vivem.
Entre os moradores mais idosos estão Lambert, Dyer, St. Croix, Good Hope, Boulders, Harlequin e Isis. O destaque é Good Hope, que chegou aos 36 anos. Como o envelhecimento traz desafios semelhantes aos enfrentados pelos seres humanos, a equipe veterinária acompanha cada pinguim de forma individualizada.
Em uma reportagem divulgada pelo site argentino Infobae, os especialistas explicam que doenças como glaucoma, artrite e problemas na coluna se tornam comuns nessa fase da vida. Lambert e Good Hope perderam um dos olhos em consequência do glaucoma, enquanto Boulders convive com a artrite. Segundo Nina Nahvi, responsável pelo centro médico do aquário, "Na natureza, simplesmente não chegam a viver tempo suficiente para começar a desenvolver esses problemas".
Para monitorar a saúde das aves, os exames passam a ser mais frequentes após os 25 anos. Avaliações oftalmológicas, exames de sangue e outros procedimentos ajudam a identificar qualquer alteração precocemente e permitem que os tratamentos sejam ajustados conforme a necessidade de cada animal.
A alimentação também faz parte dos cuidados especiais. Medicamentos e vitaminas são administrados dentro dos peixes oferecidos diariamente, além de uma hidratação reforçada para preservar a função dos rins. Lambert, por exemplo, recebe colírios duas vezes ao dia como parte do tratamento contra os problemas oculares.
O treinamento realizado ao longo dos anos também tem papel importante. O objetivo é fazer com que procedimentos veterinários sejam encarados de forma tranquila pelos animais. Segundo o treinador-chefe Nick Vitale, "Esse é, na verdade, o principal motivo pelo qual realizamos muitos dos nossos treinamentos: garantir que, quando chegam a essa idade e podem precisar de colírios, isso não seja uma experiência estressante para eles".
Além dos tratamentos convencionais, os pinguins também recebem sessões de fisioterapia, acupuntura e laser para aliviar dores e reduzir inflamações. Os cuidadores procuram transformar cada atendimento em uma experiência positiva. "O segredo é fazer com que seja divertido e agradável. Carinho e peixe são a chave para conquistar a confiança deles", afirma Vitale.
O ambiente onde vivem também foi adaptado para facilitar a locomoção. O recinto conta com pisos macios, caminhos sinalizados visualmente e áreas planejadas para reduzir o risco de lesões. Quando Lambert passou a preferir uma região mais elevada, os profissionais criaram um percurso revestido por materiais suaves para proteger suas patas durante o deslocamento.
A rotina inclui ainda atividades de enriquecimento ambiental, como brinquedos flutuantes, bolas espelhadas e passeios pelo aquário. Para os especialistas, essas experiências ajudam a estimular a curiosidade e a manter a mente ativa. "Os peixes nadando, as cores e as luzes. Às vezes, esse pode ser o tratamento mais eficaz para eles", destaca Nick Vitale.
Além de melhorar a qualidade de vida dos animais idosos, o projeto também contribui para conscientizar o público sobre a situação do pinguim-africano, espécie considerada criticamente ameaçada de extinção e que teve sua população reduzida em cerca de 97% em menos de um século.
A equipe acredita que acompanhar esses exemplares longevos também ajuda a ampliar o conhecimento científico sobre o envelhecimento e a capacidade de adaptação desses animais. Como resume o especialista Eric Fox, "Também estamos aprendendo sobre a resiliência que esses animais têm. Mesmo na velhice, eles continuam capazes de aprender e de encontrar novas formas de se movimentar, apesar das limitações".
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



