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O que os gatos gostam de comer (de verdade)?

Entender as preferências alimentares dos felinos ajuda a garantir saúde, bem-estar e longevidade para os animais

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Tutores devem oferecer uma alimentação equilibrada, com base em orientação veterinária e respeitando as preferências naturais da espécie • Freepik

Os gatos são carnívoros obrigatórios. Ou seja, precisam de nutrientes presentes exclusivamente em produtos de origem animal para sobreviver.

Essa característica fisiológica influencia diretamente sua alimentação, e torna a escolha da dieta um fator decisivo para a saúde felina.

Mesmo com a popularidade das rações industrializadas, muitos tutores ainda têm dúvidas sobre o que oferecer, em quais quantidades e com que frequência.

De acordo com a VCA Animal Hospitals, grupo norte-americano de hospitais veterinários, “os gatos necessitam de proteínas de alta qualidade e de uma quantidade equilibrada de gordura e carboidratos”.

A instituição alerta: “Uma alimentação inadequada pode comprometer o funcionamento de órgãos vitais, causar obesidade ou deficiências nutricionais graves”.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) também reforça a importância da orientação profissional.

Em nota técnica sobre alimentação de animais domésticos, o órgão destaca que “o manejo nutricional deve respeitar as necessidades da espécie e ser acompanhado por médico-veterinário habilitado”.

Proteína, hidratação e rotina alimentar

A alimentação adequada começa pela escolha de uma ração balanceada, que atenda às exigências nutricionais da espécie.

Produtos de qualidade contêm taurina, arginina e ácidos graxos essenciais, além de minerais e vitaminas. A VCA recomenda evitar a oferta contínua de comida ao longo do dia.

“Oferecer refeições em horários definidos ajuda a controlar o peso e observar possíveis alterações no apetite”, afirma o guia de alimentação da entidade.

Outra recomendação importante é garantir o consumo de água, algo que nem sempre acontece de forma espontânea.

O que oferecer (e o que evitar) na alimentação felina

  • Rações comerciais de boa qualidade, próprias para cada fase da vida;
  • Comida úmida (sachês ou latas), especialmente para gatos que bebem pouca água;
  • Petiscos naturais, como pedaços de frango cozido ou atum sem sal e sem conservantes;
  • Água fresca e limpa disponível o tempo todo, com troca diária;
  • Evitar leite, chocolate, cebola, alho, uvas, ossos cozidos e alimentos com temperos, por serem tóxicos ou prejudiciais ao sistema digestivo.

Avaliação veterinária é essencial para definir a dieta ideal

Fatores como idade, nível de atividade física, estado de saúde e até o ambiente influenciam na dieta mais adequada.

Por isso, o CFMV orienta que qualquer mudança alimentar seja feita com acompanhamento profissional.

Gatos idosos, obesos ou com doenças como diabetes ou insuficiência renal, por exemplo, exigem cuidados específicos.

A observação diária do animal também é importante: mudanças no apetite, perda de peso, aumento da sede ou alterações nas fezes são sinais de alerta. “Muitos tutores não percebem que o gato está comendo menos até que o problema esteja avançado”, alerta a VCA.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.