Gengivite em gatos: como identificar e cuidar da saúde bucal felina
Doença é frequentemente negligenciada pelos tutores, em parte porque os sinais podem ser sutis no início

A gengivite é uma inflamação das gengivas que pode causar muita dor e desconforto aos gatos.
Embora comum, ela é frequentemente negligenciada pelos tutores, em parte porque os sinais podem ser sutis no início.
Com o avanço da doença, no entanto, os impactos à saúde e à qualidade de vida do animal são significativos.
Sintomas que merecem atenção
Segundo a veterinária Gabriela Cerqueira, do Hospital Veterinário Pet Care, “a gengivite em gatos pode causar dor ao mastigar, mau hálito, salivação excessiva, perda de apetite e até isolamento social”.
Muitos tutores só percebem algo errado quando o gato começa a recusar alimentos sólidos ou demonstra sensibilidade ao toque próximo à boca.
A vermelhidão ao redor dos dentes, sangramentos na gengiva e a formação de placas são sinais visíveis.
Em quadros mais graves, o problema pode evoluir para estomatite, afetando outras regiões da boca.
Causas e fatores de risco
A principal causa da gengivite é o acúmulo de placa bacteriana nos dentes, o que leva à inflamação da gengiva.
A falta de higienização bucal é o principal fator de risco, mas doenças sistêmicas e predisposição genética também contribuem.
Gatos idosos e aqueles com sistema imunológico comprometido são mais vulneráveis.
A médica-veterinária Laysa Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reforça: “A gengivite não é só um problema local. Ela pode abrir portas para infecções mais graves que atingem o organismo inteiro”.
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Como prevenir e tratar
O tratamento da gengivite depende da gravidade. Em casos leves, a escovação diária e o uso de antissépticos veterinários podem controlar o problema.
Já nos casos moderados ou avançados, pode ser necessária a limpeza dos dentes sob anestesia, além de antibióticos ou, em situações extremas, extrações dentárias.
Para evitar que a doença avance, mantenha uma rotina de cuidados bucais:
- Escove os dentes do gato com escova e pasta específicas para pets;
- Ofereça rações e petiscos que ajudam a reduzir a placa bacteriana;
- Faça check-ups periódicos com o veterinário;
- Observe mudanças no comportamento alimentar ou sinais de dor.
Além da prevenção, a observação diária do animal é fundamental. Como explica a equipe do Instituto de Medicina Veterinária da USP: “Muitos gatos escondem sinais de dor, então qualquer alteração no comportamento alimentar deve ser investigada”.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



