Spray feito a partir de subproduto da cana pode reduzir mau hálito em cães
Pesquisa com polifenóis extraídos do melaço mostrou efeito imediato e resultados mantidos por um mês, com redução de bactérias associadas à halitose canina

Um spray desenvolvido a partir do melaço, substância escura que sobra do processo de refino da cana-de-açúcar, pode representar uma nova alternativa para combater o mau hálito em cães. Em um estudo experimental conduzido por pesquisadores chineses, o produto conseguiu reduzir odores desagradáveis e diminuir a presença de bactérias ligadas à halitose nos animais.
A pesquisa foi publicada no 'Journal of Agricultural and Food Chemistry' e utilizou polifenóis, compostos naturais encontrados em plantas e conhecidos por suas propriedades antibacterianas. O objetivo foi testar se um subproduto agrícola de baixo custo poderia contribuir para o cuidado diário da saúde oral dos cães de maneira prática e sustentável.
Segundo os autores, o mau hálito em cães vai além de uma questão de conforto para os tutores e pode indicar alterações na saúde bucal. Atualmente, tratamentos comuns incluem escovação frequente, antibióticos e enxaguantes específicos, métodos que nem sempre são simples de manter na rotina doméstica.
Para o experimento, os cientistas selecionaram dez cães domésticos saudáveis que apresentavam halitose. O spray foi aplicado diretamente na boca dos animais e, uma hora depois, avaliadores treinados não identificaram odores desagradáveis. Exames laboratoriais da saliva também apontaram redução ou desaparecimento de compostos químicos relacionados ao mau cheiro, incluindo aldeídos, aminas e ésteres.
O efeito não ficou restrito ao curto prazo. Durante 30 dias, os cães receberam aplicações diárias e apresentaram níveis menores de substâncias produzidas por bactérias que geram odores intensos. Os pesquisadores observaram ainda mudanças no microbioma oral, com queda na presença de grupos bacterianos frequentemente associados ao mau hálito.
Ao explicar o funcionamento do produto, os autores afirmaram que os polifenóis atuam em diferentes frentes. Em comunicado reproduzido pela reportagem original, descreveram que os compostos funcionam como uma espécie de "esponja molecular", neutralizando moléculas de odor, além de interferirem em mecanismos bacterianos ligados à produção do mau cheiro.
Apesar dos resultados considerados promissores, os próprios pesquisadores destacaram que o estudo ainda é preliminar. Como a amostra envolveu apenas dez animais, novas etapas com um número maior de cães serão necessárias para confirmar a eficácia e entender o potencial uso do spray em larga escala.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



