Passarinho ‘triste’ no frio? Entenda como o comportamento de aves muda em dias gelados
Especialistas explicam o motivo das penas eriçadas, a redução no canto e como adaptar a alimentação para manter a imunidade da ave em dia

Com as frentes frias ganhando força e derrubando as temperaturas nas manhãs e madrugadas de Minas Gerais e grande parte do país, o comportamento dos animais de estimação muda. Para os tutores de aves como calopsitas, periquitos e canários, os dias gelados costumam trazer muita preocupação e dúvidas sobre o manejo diário.
É comum que os donos notem os animais mais quietos, vocalizando menos e passando horas parados nos poleiros. Ao observar um passarinho aparentemente triste no frio, muitos acreditam que o animal está deprimido pela falta de sol, mas a biologia explica que essa é uma estratégia de sobrevivência.
A mudança de comportamento está diretamente ligada ao grande esforço que o organismo da ave faz para evitar a hipotermia.
Por que o passarinho parece triste e eriça as penas?
A fisiologia das aves é muito diferente da dos mamíferos. Elas têm um metabolismo muito acelerado e operam em temperaturas internas muito mais altas do que as nossas, o que exige um gasto de energia gigantesco durante o inverno.
A literatura clínica internacional para animais exóticos detalha essa necessidade. Segundo os parâmetros do Manual Merck de Veterinária, referência global no atendimento clínico, a temperatura corporal normal da maioria das aves domésticas varia de 40°C a 42°C.
Para manter esses números funcionando em um dia de 10°C, a ave precisa parar de pular pela gaiola e reduzir o canto para economizar energia.
Além de ficar quieto, o animal infla a plumagem. As famosas "penas eriçadas" são um mecanismo engenhoso de termorregulação. Ao arrepiar as penas, o pássaro cria uma camada de ar quente ao redor da própria pele, e acaba ganhando um cobertor natural de isolamento contra o vento frio.
O segredo do reforço calórico
Se a ave está gastando o dobro da energia apenas para se manter viva e aquecida, a dieta comum já não é mais suficiente. Muitos tutores se perguntam o que ave come no inverno e se é necessário mudar a ração oferecida diariamente.
A resposta é sim. O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) alerta em suas cartilhas de manejo de silvestres, que a desnutrição ou a alimentação baseada exclusivamente em um único tipo de semente é a principal causa da queda de imunidade nas aves, o que abre portas para viroses e pneumonias na estação mais fria.
Durante as épocas frias, a alimentação precisa ser enriquecida com opções levemente mais calóricas e com alto valor nutricional, sempre respeitando a espécie do animal.
A base alimentar deve ser focada em rações extrusadas de alta qualidade. Elas é que vão garantir que o pássaro consuma todas as vitaminas necessárias e impedir que ele selecione apenas o que acha mais gostoso.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



