A Santa Casa de Ouro Preto passou a integrar o projeto nacional “Saúde em Nossas Mãos”, iniciativa do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada à redução de infecções hospitalares, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTIs). A instituição é uma das 33 unidades hospitalares mineiras selecionadas para participar da ação e a única representante da microrregião dos Inconfidentes.
O projeto reúne hospitais de excelência, o Ministério da Saúde e instituições parceiras para implementar práticas baseadas em evidências científicas, fortalecer a capacitação das equipes de saúde e monitorar indicadores assistenciais. A meta é reduzir em até 50% as infecções relacionadas à assistência hospitalar até 2026.
Em âmbito nacional, os resultados já apontam impactos significativos. Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, houve redução de 26% nas infecções hospitalares em UTIs do SUS, além de economia superior a R$ 150 milhões ao sistema público de saúde.
Na Santa Casa de Ouro Preto, os primeiros indicadores apontam avanços no controle de infecções e na segurança do paciente. A participação no projeto teve início após indicação do Hospital Moinhos de Vento, uma das instituições responsáveis pela coordenação da iniciativa, que reconheceu o desempenho da equipe local em programas de qualificação assistencial.
De acordo com a médica infectologista Carolina Ali, os resultados já são perceptíveis no cotidiano da unidade.
“Na UTI, conseguimos uma redução de 50% nas infecções urinárias, além de uma diminuição de cerca de 10% nas infecções relacionadas a dispositivos invasivos.”
Entre as medidas adotadas estão o reforço nos protocolos de higiene das mãos, a qualificação do cuidado com dispositivos invasivos, o uso racional de antibióticos e o acompanhamento sistemático de indicadores de infecção.
A coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (SCIRAS), Aline Valadares, destaca que as ferramentas do projeto ampliaram a capacidade de monitoramento e tomada de decisões.
“O projeto trouxe ferramentas que permitem acompanhar os resultados com mais rapidez. Mais do que números, isso representa mais segurança para o paciente e mais qualidade na assistência.”
Outro resultado observado foi a redução no uso de dispositivos invasivos, como sondas vesicais, cuja utilização caiu cerca de 12% na unidade. A instituição também registra períodos prolongados sem ocorrência de determinadas infecções graves na UTI.
Com base nos avanços alcançados, a Santa Casa foi convidada a ampliar a participação no projeto para outros setores do hospital, incluindo o bloco cirúrgico, reforçando as estratégias de segurança do paciente e melhoria contínua da assistência.
Leia também