Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é mais do que uma data comemorativa. O momento simboliza uma trajetória histórica de mobilização por direitos, igualdade e reconhecimento social — uma luta que começou há mais de um século e continua até hoje.
A origem da data está ligada aos movimentos trabalhistas e feministas do final do século XIX e início do século XX, quando mulheres passaram a se organizar para reivindicar melhores condições de trabalho, direito ao voto e igualdade de oportunidades. Ao longo das décadas, diversas conquistas foram alcançadas, como a ampliação dos direitos políticos e avanços na legislação voltada à proteção das mulheres.
No Brasil, um dos marcos importantes nesse processo foi a criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006. A legislação tornou mais rigorosa a punição para agressores e estabeleceu medidas protetivas para mulheres vítimas de violência doméstica.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Dados divulgados recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. O levantamento evidencia que a luta das mulheres ainda passa, muitas vezes, pelo direito básico de viver com segurança.
Além da violência de gênero, mulheres seguem enfrentando desigualdade salarial, dificuldades de acesso a posições de liderança e barreiras estruturais no mercado de trabalho.
Mesmo diante desse cenário, a organização coletiva segue sendo um dos principais instrumentos de resistência e transformação social.
Na Região dos Inconfidentes, um dos grupos que se organizam em torno da pauta é o coletivo 8M Inconfidentes – Maria das Minas, que promove atividades dentro da proposta do “Dia Internacional de Luta das Mulheres”.
A programação começou na última terça-feira (3), com uma roda de conversa realizada no Anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. O encontro reuniu mulheres de diferentes trajetórias em um espaço de escuta, diálogo e reflexão coletiva.
Agora, as mobilizações seguem nas ruas da região. No sábado (7), a atividade acontece às 9h, no Centro de Convenções de Mariana. Já no domingo (8), também às 9h, a concentração será no Anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.
A expectativa é reunir mulheres, movimentos sociais e apoiadores para reforçar o caráter histórico e político do 8 de março como um dia de mobilização das mulheres trabalhadoras.
Entre as principais reivindicações apresentadas pelo coletivo estão o combate à violência de gênero, a ampliação de políticas públicas voltadas às mulheres, o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a defesa de um modelo de mineração que respeite a vida e o meio ambiente.